loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Cerca de 75% dos quilombolas vivem na pobreza

Ouvir
Compartilhar

A cor da pele é invisível. Quando os olhos não enxergam e a mente bloqueia, a consciência desaparece. Sem raça, sem etnia, sem antepassados, sem sangue nas veias, o negro que não se identifica como tal empalidece, fica moreno, pardo, abdica sua origem. Vira um café com leite desnatado, de orgulho embranquecido. Mesmo no berço de comunidades quilombolas herdeiras da maior resistência contra o racismo da História das Américas, ainda há pessoas que não se identificam como negros. Nas vésperas dos 320 anos da morte de Zumbi dos Palmares, uma pesquisa do governo de Alagoas aponta que quase 2 mil famílias estão invisíveis, em remanescentes de quilombos erguidos no Estado. Sem a identidade da cor, eles perdem direitos básicos (como acesso a Educação, Bolsa Família, esgoto, água encanada) e agravam sua vulnerabilidade socioeconômica. Esta parcela da população, via de regra, é a mais pobre dos municípios em que habita, quase sempre abaixo da base da pirâmide. O Estudo sobre as Comunidades Quilombolas de Alagoas, da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), enfatiza que 75% destas famílias sobrevivem (ou subvivem) com uma renda per capita média de R$ 77 por mês, o que caracteriza a condição de extrema pobreza. Outros 11,9% são considerados apenas pobres. Uma parte deles é esquiva, esconde-se embaixo dos lençóis da vergonha, do preconceito, ou se oculta pelas tocas sombrias do medo e da discriminação racial. ?O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons?, sinaliza um totem do movimento negro, o ativista Martin Luther King. Ele teve um sonho: ?O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele?. Há um julgamento reverso sentido na pele de, ao menos, 1.922 famílias alagoanas identificadas pela Fundação Cultural Palmares como quilombolas. Eles ficaram de fora do CadÚnico, o Cadastro Único para programas sociais do governo federal que prioriza estes herdeiros das injustiças remanescentes da escravidão.

Relacionadas