Economia
Jovens cientistas levam consultoria ao setor p�blico
Há algo novo na repartição com velhos birôs e assoalhos de madeira em prédios históricos. A luz nos olhos de mentes brilhantes reativa a chama de antigos samurais do funcionalismo público e traz um gás diferente para sacudir a máquina do Estado, tão pesada e entorpecida pela burocracia. Em meio à selva de protocolos, vícios e malemolências, por entre rios de má vontade, compadrio e corrupção, jovens cientistas mergulham de cabeça em busca da eficiência do serviço prestado à sociedade. Como Indiana Jones em busca da arca perdida, os nossos desbravadores no templo da perdição estatal são jovens pesquisadores, na maioria com títulos de mestrado ou doutorado. Após décadas de chicotadas e tapas na cara, o governo de Alagoas finalmente despertou. Percebeu o potencial destes recursos humanos largados à própria sorte nas veredas e crateras lunares do mundo acadêmico, quase numa realidade paralela. Em poucas canetadas, a gestão pública do Estado encerrou a era da contratação de consultorias milionárias e as substituiu pela nova geração de estudiosos recém-saídos das universidades e bancas de pós-graduação. Um levantamento divulgado pelo Sindicato dos Fiscais de Renda (Sindifisco), no ano passado, aponta que o governo gastava cerca de R$ 50 milhões com estas consultorias pagas a peso de ouro. Além do desfalque nos cofres, o resultado podia se resumir a relatórios frágeis que ficavam esquecidos em prateleiras empoeiradas.