Economia
Deficit de conta corrente do Pa�s vai ao menor n�vel
São Paulo, SP ? No fim de 2014, uma das preocupações dos economistas era de que o Brasil viveria este ano o problema dos deficits gêmeos, ou seja, rombos perigosos nas contas externas e internas. O que ninguém contava, no entanto, é que o câmbio se desvalorizaria cerca de 40% em 2015. E este é um dos principais fatores que explica a brusca retração no deficit em conta corrente neste ano e nas projeções para 2016. Após o deficit de US$ 104,08 bilhões em 2014 ? que foi o recorde desde o início da série histórica, em 1947 ?, as projeções da Focus apontam para um rombo de US$ 64,40 bilhões este ano e de US$ 39,68 bilhões em 2016, o que seria o menor nível desde 2009. O Banco Central alterou este ano a metodologia das contas externas, adotando o chamado padrão BPM6, do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com isso, a série histórica do saldo em conta corrente só foi atualizada até 2010. Nessa nova base de comparação, o deficit projetado para a Focus em 2016 será o menor desde o início da série, ou seja, 2010. No padrão anterior, o BPM5, o deficit previsto para 2016 será o menor desde 2009, quando o saldo ficou negativo em US$ 24,302 bilhões. ?O Brasil ficou dez, onze anos com o consumo doméstico crescendo acima do PIB, então é óbvio que haveria uma expansão do deficit em conta corrente. Agora, vemos uma reversão brusca desse consumo desmedido?, aponta o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria. Ele afirma que a redução deste rombo representa a diminuição de um fator de risco. Mas ele lembra que o deficit em conta corrente nunca foi um grande problema, já que era financiado em boa parte pelo Investimento Estrangeiro no País (IDP, ex-IED).