Economia
C�psulas geram problema de lixo
São Paulo, SP ? Desde que chegou ao Brasil, há dez anos, o mercado do café em cápsula saltou de R$ 19 milhões para R$ 1,4 bilhão em 2015. Mas tamanha evolução não estabeleceu uma indústria compatível com o lixo que produz. Mais de 7.000 toneladas do café nas embalagens individuais foram vendidas no ano passado no País, segundo a consultoria Euromonitor. Já o volume de cápsulas recicladas é tabu no setor. A líder Nespresso tem um programa com pontos de coleta para devolução do resíduo. A companhia, porém, sob a justificativa de se tratar de dado confidencial, não informa qual percentual de cápsulas vendidas é de fato restituído pelo cliente e reciclado. O material descartado é levado a uma instalação da Nespresso em São Bernardo (SP), onde o compartimento de alumínio é separado do resíduo de café que sobra em seu interior. A reportagem solicitou uma visita ao local, mas a empresa não consentiu. Também não informou se a capacidade de separação de cápsulas sujas é grande o suficiente para dar conta de toda a produção vendida no País. Após a separação do material, o alumínio segue para uma empresa de reciclagem em Suzano, e a borra de café, para Mogi Mirim, onde se torna composto orgânico. Quando se instalou no Brasil, a Nespresso não achou uma empresa que separasse o material. Então resolveu, ela própria, assumir a função. Em países com políticas ambientais avançadas, como Alemanha, Finlândia e Suécia, a empresa não precisa assumir a limpeza do material, diz Francisco Campiche, gerente na Nespresso. A indústria paga taxas e os governos protagonizam a reciclagem.