Economia
Financiamento de im�veis cai 80%
Pista livre, reta, um tapete para deslizar em alta velocidade. A máquina é o setor da construção civil, superaquecida com o mercado imobiliário em plena potência, turbinada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No meio do caminho, tinha mais do que uma pedra. Tinham várias, de britas a pedregulhos: retração de crédito, aumento de juros, cortes de verbas federais, inflação, alta do dólar e queda nas vendas, só para citar algumas. É preciso perícia ao desviar do perigo que ameaça as atividades responsáveis por 17% da economia alagoana (mais que os 12% da cana). O instinto de sobrevivência manda puxar o freio de mão, resposta que pode provocar um ?cavalo de pau? ou capotamento. A venda de imóveis financiados caiu cerca de 80% em Alagoas, entre os anos de 2013 e 2015, segundo estimativa do Sindicato do Comércio e Administração de Imóveis (Secovi/AL). Foi preciso levantar placas de alerta com os dizeres ?crise na construção civil? para evitar um desastre. Mesmo com toda manobra, freadas e derrapagens, o solavanco na pista é inevitável. No ano passado, as construtoras realizaram apenas 25% dos lançamentos que tinham previsto, pelas contas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/AL). Quem percebeu o perigo no fim da reta, pôde se precaver e começou a desacelerar ainda em meados de 2014. Quem pisou mais fundo em meio ao ?boom? da especulação imobiliária, sofreu duras avarias. A liberação de financiamentos da casa própria caiu pela metade, a oferta de imóveis inchou para 19 mil unidades só em Maceió, as obras do PAC estão devagar, quase parando, e o cronograma do Minha Casa, Minha Vida com atrasos entre 12 e 15 meses.