Economia
Constru��o civil alagoana demite 20 mil pessoas
A colher do pedreiro come poeira, não sabe mais o que é cimento para mexer. E o pedreiro? Acostumou comer de garfo e faca e agora sofre sem ter do bom e do melhor no prato. Falta carne na mesa e tijolo para assentar parede por causa da maior crise das duas últimas décadas na construção civil. Aliás, bem dizer não houve crise neste tempo todo. Após o longo período de bonança, com o auge de programas federais, o tempo das vacas magras chegou como o aperto de um estômago nas costelas do setor. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada de Alagoas (Sindticonspal) calcula que houve mais de 20 mil demissões só aqui no Estado, nos últimos três anos. Para não quebrar, as empresas adiam projetos, param obras e reduzem o quadro. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), o número despencou de 40 mil contratados em 2013 para 18 mil em 2016. Já o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Alagoas (Sindticmal) alerta que o pior ainda está por vir, depois da avalanche de demissões nos últimos meses de 2015. É o fim do prazo de validade do seguro-desemprego. Representante dos trabalhadores das chamadas obras pesadas (estradas, pontes, aquedutos, ferrovias e outras que não estão no setor de habitação), o presidente do Sindticonspal, Manoel Januário Filho, afirma que a crise é mais severa em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). ?Há três anos, você ia no Canal do Sertão e tinha 5 mil trabalhadores, hoje não chega a 300. No pique da duplicação da BR-101, tinha 4 mil operários, hoje são menos de 300, de Joaquim Gomes a Porto Real do Colégio?, resume. Segundo Januário, o governo federal e estadual diz que vão tocar as obras do canal, mas está difícil acreditar. ?Eles falam, falam, mas até agora nada, é só demitindo, demitindo, e nem as próprias empresas sabem quando voltar a trabalhar. Tem construtoras aí, como a Penedo, que tinha 20 mil trabalhadores, mas hoje não chega a ter 2.600?.