Economia
Em quatro meses, setor fecha at� nove mil vagas
Só entre os meses de novembro e fevereiro, o presidente do Sindticmal, Cícero Justino da Silva, calcula, aconteceram de 8 mil a 9 mil demissões, incluindo os chamados setores leve e pesado da Construção Civil. Para o representante da construção leve (empreendimentos imobiliários), o pior da crise está para chegar no bolso do trabalhador nos próximos meses, com o pagamento das últimas parcelas do seguro-desemprego, normalmente quitado em quatro ou cinco vezes. O fantasma da renda zero deve chegar para muitos entre os meses de março e abril. Como o setor sempre foi muito dinâmico, nem sempre a demissão significava o fim da linha porque era fácil conseguir um novo emprego quando o mercado estava aquecido. Tanto que o saldo de postos de trabalho de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, traz o saldo negativo com a perda de 4.405 postos de trabalho em Alagoas no ano passado. Hoje é muito complicado conseguir uma nova vaga neste mercado murcho pela falta de investimentos, juros altos que impedem financiamentos, inflação de dois dígitos, alta do dólar, aumento de custos, retração do consumo de bens duráveis e crise política que contamina a economia do País. Para Cícero Justino, a crise já dava sinais claros em março de 2015, mas se acentuou a partir de novembro e dá sinais de que pode piorar. ?A gente já sabe, já tem notícias que tem várias demissões vindo por aí, as más notícias devem chegar a partir do dia 20 deste mês, tem muitas empresas com obras do Minha Casa Minha Vida que vão parar, a gente espera que o governo federal dê algum sinal positivo para não ficar pior?. O sindicalista lembra que o setor da Construção Civil representa 26% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e que esta crise precise ser observada com mais seriedade. Na opinião de Justino, todo este caos está acontecendo por causa de interesses político-partidários. ?Esta é uma crise política em que os trabalhadores estão sendo os prejudicados, é muito triste, já tem um ano que o novo governo entrou, e as coisas não acontecem. O problema é político e reflete na economia?.