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Nº 5731
Economia

AL ter� pior safra da hist�ria

A chuva chegou tarde. A cada trovão que estrondou no céu esta semana, o plantador de cana sentiu disparar o coração. Cada relâmpago acendeu um flash na memória, com a imagem do canavial esturricado pela seca inclemente dos últimos meses. Nuvens desabaram,

Por | Edição do dia 21/02/2016 - Matéria atualizada em 21/02/2016 às 00h00

A chuva chegou tarde. A cada trovão que estrondou no céu esta semana, o plantador de cana sentiu disparar o coração. Cada relâmpago acendeu um flash na memória, com a imagem do canavial esturricado pela seca inclemente dos últimos meses. Nuvens desabaram, como as contas a pagar nos escritórios das usinas. A água do céu só desceu com força neste final de fevereiro, quando dez das dezenove fábricas em operação no Estado já pararam de moer. No ápice da crise dos últimos cinco anos, o setor sucroenergético se depara com a pior safra da história, segundo o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar). O presidente do Sindaçúcar, Pedro Robério Nogueira, refere-se ao último golpe dessa grande derrocada como uma “hecatombe nunca antes vista”. Para levantar da lona e evitar o nocaute, só mesmo algo comparável a um passe de mágica. O setor praticamente tirou da cartola um financiamento da ordem de R$ 1,2 bilhão, com uma engenharia financeira inédita no mercado exportador brasileiro. Ideia genuinamente alagoana, da mente do próprio Robério, que ganhou forças na voz do governador Renan Filho e ecoou nos tímpanos do presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, e da presidente da República, Dilma Rousseff. O árbitro já fazia a contagem de um até dez quando a sinalização positiva do banco Credit Suisse fez soar o gongo. Dou-lhe 1, 2, 3, 4, 5 safras de pancadas e a produção do setor em Alagoas desabou de 29 milhões de toneladas nos anos 10/11 para não chegar a 16 milhões de toneladas em 15/16, uma queda de 44%. O estrago no corpo e na aparência das usinas pode ser ainda pior. Para a Associação dos Plantadores de Cana (Asplana), a moagem corre o risco de ficar em torno de 14 milhões de toneladas. Um documento a que a Gazeta teve acesso aponta que, até a semana passada, havia apenas 11 milhões de toneladas moídas.

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