Economia
Crise gera cria��o de 1.500 novas empresas por m�s em AL
A crise é uma palavra que ninguém quer ouvir, mas ninguém para de falar. É um nome feio, com uma rubrica no dicionário ainda pior, horrível: ?Grave desequilíbrio conjuntural entre a produção e o consumo, acarretando aviltamento dos preços e/ou da moeda, onda de falências, desemprego etc?. Mas é justamente neste et cetera grafado por Houaiss que está a enumeração de um grande paradoxo vivido pelas empresas do Brasil, em particular daqui de Alagoas. Se o lucro fácil acomoda, o prejuízo gera reação imediata. Como bem acentua o mestre Aurélio, crise significa ?conjuntura ou momento perigoso, difícil ou decisivo?. Não só ruim ou difícil, também decisivo, oportuno. Essa antítese de ir ao fundo do poço para subir é o dínamo que motiva o crescimento recorde do número de empreendimentos ativos no País. Só em Alagoas, o índice cresce numa velocidade de 1.452 novos negócios por mês. No ano marcado pela pior recessão dos últimos 25 anos, o Estado de Aurélio registrou o avanço de pouco mais de 125 mil para quase 143 mil Micro Empreendedores Individuais (MEIs) e Micro e Pequenas Empresas (MPEs). Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do País despencava 3,8% em relação a 2014, o saldo medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) com o site ?empresômetro? registrava um acréscimo de 17.428 novos empreendimentos ativos em todos os setores da economia. São os reflexos de um mecanismo de defesa natural. Desde o funcionário de carreira demitido que começou a vender amendoim na rua à dona de casa que agora costura para pagar as dívidas, os novos negócios pipocam em cada esquina. Com isto, a veia criativa e empreendedora do povo que precisa manter ou melhorar o padrão de vida está aflorando mais do que nunca. O Sebrae mensura este fenômeno com a elevação do chamado empreendedorismo por necessidade. A gerente de Gestão Estratégica e Políticas Públicas do órgão em Alagoas, Renata Fonseca, registra que houve um aumento de 29% para 44% das empresas abertas com este perfil, em detrimento da redução de 71% para 56% da taxa de empreendimento por oportunidade. Uma variação de 15 pontos percentuais, apenas entre os anos de 2014 e 2015.