Economia
D�lar quebra recorde do ano e bolsa despenca 3,8%
São Paulo - O Banco Central interveio ontem no mercado de câmbio e anunciou uma nova medida que deverá impedir um fluxo de saída de cerca de US$ 1,5 bilhão nos próximos meses, mesmo assim não conseguiu conter mais uma escalada da moeda norte-americana. O dólar encerrou a quinta-feira com valor recorde do governo Lula, cotado a R$ 3,665 para venda e R$ 3,66 para compra, alta de 1,66%. A moeda norte-americana não custava tão caro desde que fechou a R$ 3,74 em 13 de dezembro. Mais uma vez prevaleceram as tensões com o cenário internacional, com a ameaça de guerra entre Estados Unidos e Iraque . ?O BC interveio no finalzinho e ainda anunciou uma ótima medida, mas as tensões com a guerra lá fora prevaleceram novamente?, disse um operador de câmbio de um grande banco de varejo em São Paulo. O dólar chegou a reduzir a alta e esboçar uma recuperação logo após o diretor de política monetária do banco central, Luiz Fernando Figueiredo, confirmar que as linhas para exportação leiloadas ao mercado no ano passado para melhorar o crédito das empresas e que vencem entre fevereiro e abril, num total aproximado de US$ 1,5 bilhão, serão recompradas em reais, e não em dólares, como se cogitou. A notícia melhora a expectativa de liquidez em moeda estrangeira do mercado e pode refletir na cotação. Bolsa A Bovespa amargou ontem a maior baixa desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. O principal índice da Bolsa paulista fechou em queda de 3,82%, aos 10.107 pontos. Na mínima do dia (10.090 pontos), chegou a perder 3,98%. O tombo só não foi maior do que o registrado em 28 de outubro, um dia após a votação do segundo turno, quando despencou 4,40%. Risco A possibilidade de guerra entre EUA e Iraque levou o risco- Brasil a acumular a segunda alta seguida e subir 2,19%, para 1.351 pontos- o maior valor do ano. O C-Bond, principal título da dívida do país, recuou 0,63% e fechou a 69,063% do valor de face. O risco-país mede a diferença, em centésimos de pontos percentuais, entre os juros pagos pelos títulos da dívida de um país e os títulos do Tesouro dos EUA. Quanto maior a diferença, maior o risco e menor a cotação dos títulos.