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Distrato preocupa setor da constru��o civil em Alagoas

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Comprar um imóvel sempre foi tido como um investimento certo. Comprar na planta então era um meio garantido de conseguir um preço mais em conta e a certeza de que o imóvel valeria ainda mais num futuro próximo. Era, não é mais. Devido à crise financeira do setor, especialistas se dividem em recomendar ou não o investimento. Os preços caíram, a oferta aumentou e o número de pessoas desistindo de compras que já foram realizadas é assustador para o mercado imobiliário e da construção civil. Os distratos ? termo utilizado para configurar uma situação em que o comprador desiste do imóvel ? sempre existiram, mas eram exceção. Porém, o levantamento mais recente da agência de classificação de riscos Fitch, feito com base nas nove maiores companhias do setor, mostra que em 2015, de cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos. Em Alagoas, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) não tem números precisos de quantos distratos já foram solicitados. Entretanto, o presidente do Sindicato da Habitação em Alagoas (Sincovi/AL), Nilo Zampieri, revela que o Estado não está em situação diferente da do resto do país. ?Na prática, o que tem acontecido é que muitos compradores, que pagaram cerca de 30% do imóvel durante a fase de construção, descobrem, na entrega das chaves, que o que resta para quitar o imóvel excede o valor de unidades idênticas, prontas, que estão com desconto?, revela. Isto acontece porque, devido ao excesso de estoque, muitas construtoras e incorporadoras têm vendido empreendimentos prontos com descontos de até 40% do valor pedido anteriormente. ?Soma-se a isto, também, o fato de que a inadimplência cresceu em todo o País. Muita gente não consegue a aprovação do financiamento ou vê que a obra não está andando e prefere pedir o dinheiro de volta?, explica Nilo Zampieri. Se 2015 foi marcado pela queda na venda dos imóveis, este ano apresenta fortes indícios de que a crise econômica deve se manter e que o mercado imobiliário deve ter outro ano de baixa atividade.

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