Economia
Incerteza tamb�m gera correria de professores
FÁBIA ASSUMPÇÃO A Reforma da Previdência, que o governo federal pretende aprovar ainda este semestre, pode provocar uma debandada geral de professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em busca de aposentadoria. Diante das incertezas de que direitos adquiridos ao longo da carreira serão mantidos após a reforma, muitos professores estão preferindo acelerar os pedidos de aposentadoria, o que pode vir a comprometer o funcionamento de alguns cursos da Ufal. O presidente da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal), Eliézio de Amorim Costa, confirma que nos últimos dias o número de pedidos de aposentadorias entre os professores universitários vem aumentando. Isso pode agravar ainda mais a situação da universidade, que enfrenta uma carência de mais de 200 professores. Segundo Eliézio, a universidade tem um quadro de 1.100 professores efetivos, que são insuficientes para atender à demanda, principalmente após a criação dos cursos noturnos. O curso de Comunicação Social é um dos que enfrentam esse problema. Segundo o coordenador Luiz Gonzaga, vários professores se aposentaram ou estão para se aposentar, e não vem sendo feito concurso para repor essas vagas. A solução tem sido a contratação de professores substitutos, que só podem permanecer no cargo por dois anos, no máximos. ?Na nossa grade de ensino para 2003 deveremos ficar sem professor de Língua Portuguesa, porque o titular da disciplina está se aposentando?, exemplifica Gonzaga. Para o presidente da Adufal existem muitos motivos para que os professores estejam apressando os pedidos de aposentadoria, uma vez que não há clareza na proposta da Reforma da Previdência. No dia 20, a Adufal e o Sindicato dos Servidores da Ufal (Sintufal) promovem um seminário para discutir o assunto. Eliézio defende a necessidade de que o governo abra a discussão sobre essa reforma e que os direitos adquiridos pelos servidores federais sejam mantidos. Ele salienta que na segunda eleição de Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República houve um compromisso de consolidar a previdência privada no País. ?Na angústia de ver chegar a velhice e passar a receber uma aposentadoria insignificante, muitas pessoas acabam correndo para a Previdência Privada?. Ele considera uma falácia do governo propagar a necessidade da reforma por causa do rombo da Previdência. De acordo com dados do próprio INSS, a Previdência Social fechou o ano de 2001 com uma receita de R$ 136,877 bilhões, gerando um superávit de R$ 31,464 milhões. Eliézio rebate ainda algumas acusações de que os servidores federais são detentores de privilégios quando se aposentam. ?O governo esquece de dizer que o trabalhador da iniciativa privada paga um valor fixo para a Previdência, enquanto os servidores federais descontam o valor de acordo com o seu salário, o que lhe garante uma aposentadoria proporcional ao que recebia quando estava na ativa?, observa.