Economia
Nos seus 90 anos Angiquinhos sofre amea�a de desabamento
MOZART LUNA Sucursal Gazeta ? No ano em que se comemora 90 anos da construção de Angiquinhos e 100 anos da chegada de Delmiro Gouveia ao sertão alagoano, o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Fundação Delmiro Gouveia, professor Edvaldo Nascimento, denuncia o abandono do patrimônio construído no inicio do século 20. ?É um absurdo que em Pernambuco o patrimônio construído por Delmiro, como é o prédio do antigo mercado do Derby, seja preservado, enquanto o maior legado deixado por Delmiro, em Alagoas, esteja em vias de cair no cânion do Rio São Francisco?, desabafa o educador. A hidrelétrica de Angiquinhos, foi construída no cânion do São Francisco, onde antes era a cachoeira de Paulo Afonso, a 290 quilômetros de Maceió, já na divisa com a Bahia. Angiquinhos foi construída com suor, sangue e lágrimas, por vários desbravadores que acompanharam Delmiro Gouveia, no sonho de transformar o sertão de Alagoas num pólo de desenvolvimento. Entre esses desbravadores estavam os italianos Guido Ferrario e Luigid Borella, grandes incentivadores de Delmiro Gouveia na construção de Anguiquinhos. Danos Segundo o representante da ONG, a casa de força, onde estão até hoje instaladas as turbinas geradoras de energia, está precisando com urgência de reparos no teto, assim com sua base que prende o prédio ao cânion. ? Isto é uma obra referencial para engenharia em Alagoas. Não é possível assistir à degradação de um patrimônio desse sem nos movimentarmos?, declarou o educador. ?Só contamos com a imprensa para fazer chegar à capital alagoana, onde estão as pessoasque podem interceder no assunto e salvar um dos mais belos capítulos da história do desenvolvimento alagoano e motivo de muitos estarem em Alagoas. Porque Delmiro atraiu para cá vários homens de espírito aventureiro e fortemente ligados a um ideal?, apela Edvaldo Nascimento. Energia Delmiro Gouveia inicia os estudos para aproveitamento das quedas d?água em 1909. Seu objetivo era ter energia elétrica disponível para ser utilizada pela fábrica da Pedra e vender o excedente para outras cidades do Nordeste como Recife. Entretanto, as negociações com o governador Dantas Barreto fracassaram. Mesmo assim, Delmiro, depois de ter construído Angiquinhos e colocado para funcionar em 26 de março de 1913, continuava construindo outras duas hidrelétricas, uma delas, Furnas do Morcego, cujas ruínas ainda existem no meio do cânion. As obras foram paralisadas com o assassinato de Delmiro em 10 de outubro de 1917. A construção de Angiquinhos possibilitou o desenvolvimento do alto sertão de Alagoas e inspirou o governo federal na construção do complexo Paulo Afonso, que hoje abastece todo o Nordeste. A hidrelétrica de Anginquinhos continuou funcionando até a década de 60, gerando energia para cidade de Delmiro Gouveia e outros povoados. Até mesmo para os primeiros acampamentos, quando iniciou a construção do complexo de Paulo Afonso, a velha Angiquinhos fornecia energia para iluminar os acampamentos. ?Angiquinhos teve uma importância histórica grande para o desenvolvimento do Nordeste, foi a partir daquela pequena usina que se deslumbrou a possibilidade de um Nordeste desenvolvido com industriais gerando emprego e tirando o sertanejo da mendicância?, enfatizou Edvaldo Bezerra.