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Economia

Concentra��o de terra agrava pobreza no Vale

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O estudo do economista Fernando José de Lira revela que o modelo econômico adotado no Estado precisa mudar. Os números oficiais mostram que no período de 1970 a 1990, Alagoas foi o Estado nordestino que mais cresceu economicamente, isto devido aos investimentos federais no setor sucroalcooleiro, entre 1995 e 1990, na vigência do Proálcool. ?Nesse período, a situação econômica do Vale do Mundaú não foi pior devido, principalmente, aos grandes investimentos federais relacionados à produção de açúcar e álcool. Todavia, seu padrão de desenvolvimento, sustentado pela monocultura da cana e pela pecuária, praticadas em propriedades acima de 100 hectares, não permitiu que seu desempenho econômico alcançasse a metade da média estadual. Portanto, esse modelo teve uma baixa resposta aos investimentos federais, pois quase toda a área agricultável já estava ocupada com cana e pecuária, demonstrando o seu esgotamento econômico?,? revela o economista. O estudo do Sebrae mostra que mesmo nos municípios onde está localizada a agroindústria do açúcar e do álcool, a taxa de atividade é pequena, obrigando grande parte da população em idade ativa a viver na inatividade. ?Isto significa dizer que 62% da população em idade de trabalho não tem qualquer ocupação ou renda??, informa Lira ao fazer a leitura da pesquisa. Segundo ele, outra característica forte na região é sua estrutura da propriedade da terra muito concentrada nas grandes fazendas. Mais de 64% das terras do vale estão em mãos de 9,8% de todos os produtores, enquanto os 90,2% dos outros agricultores possuem apenas 35,6% da área total. ??É, portanto, uma estrutura de posse muito desfavorável aos pequenos produtores agrícolas, sendo basicamente formada por propriedades acima de 100 hectares, com os pequenos agricultores vivendo nos interstícios das grandes plantações de cana e da pecuária de corte e leite??, deduz o professor da Ufal. Para ele, a concentração da terra acaba por ser o principal fator de concentração da renda e poder nos municípios da região, com fortes reflexos no nível de pobreza da maioria da população. Pelos números da pesquisa, conclui-se que o baixo nível de renda per capita, a estagnação do PIB, o elevado percentual de famílias com renda insuficientes, as precárias condições de saúde e de habitação, além do elevado nível de analfabetismo, são as causas do elevado grau de exclusão social na região do Vale do Mundaú.

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