Economia
Empresas est�o sem f�lego para folha
São Paulo, SP ? O saldo líquido negativo de 118.776 postos de trabalho apontados pelo Caged de março mostra que as empresas estão ?sem margem de manobra? para lidar com a recessão. Essa é a avaliação do economista da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão. ?Em 2015, as companhias ainda tinham algum fôlego para manter sua folha de pagamento, mas isso se esgotou na medida em que o empresário não vê perspectiva de aumento da demanda. Ao longo deste ano, vamos ter intensificação desse quadro ruim?, disse. O resultado de março não foi tão negativo quanto o previsto pela consultoria, que esperava fechamento de 136.600 vagas. ?Eu estava mais pessimista, mas ainda assim o número é muito negativo?, afirmou. O que surpreendeu o economista foi o setor de serviços. ?Eu previa corte ao redor de 36 mil, 37 mil postos?, disse. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), houve 18.654 desligamentos nesse segmento. Por outro lado, o resultado geral ficou pior do que apontava a mediana negativa de 95.000 postos encontrada na pesquisa realizada pela reportagem. Contudo, o economista alerta que a situação do emprego no setor de serviços tende a se agravar, na medida em que há sinais claros de impacto da recessão. ?Já vemos, por exemplo, a inflação de serviços arrefecendo, como efeito da queda da demanda?. Leão não vê no curto e médio prazos um ponto de inflexão para o mercado de trabalho, que ainda deve sofrer pelo menos até o começo do ano que vem. ?Antes de melhorar, vamos ter muita oscilação nos dados de emprego, com recuperação num mês e piora em outro. Somente no segundo trimestre de 2017 poderemos observar melhora marginal?, afirmou. Em seu cenário, o País deve ter fechamento de 1,5 milhão de postos de trabalho em 2016.