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Alagoanos fazem “bico” para sobreviver � crise

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O padeiro Emanuel Santos Lopes e a mulher dele, a auxiliar de cozinha Jaqueline Santos, com 5 filhos, há cinco meses sentem a forma cruel dos efeitos da recessão que deixa mais de 22 mil trabalhadores sem emprego em Alagoas e outros mais de 11 milhões no Brasil. Até o ano passado ele faturava mais de R$ 3 mil por mês, enquanto ela fazia pequenos ?bicos? para ajudar no orçamento doméstico. Emanuel entrou em 2016 desempregado e Jaqueline começou a trabalhar como auxiliar de cozinha para sustentar a família. O casal estava na agência do Sine (Serviço Nacional de Emprego): ele, em busca de trabalho; ela, para tirar a Carteira Profissional, que será assinada pelo novo patrão. ?Meu marido não consegue encontrar trabalho. Eu consegui e o patrão vai assinar a minha carteira. A gente agora vai viver com o salário mínimo. Isto é melhor que nada?, comemora Jaqueline, que no ano passado foi cortada do Programa Bolsa Família. A situação de Emanuel e Jaqueline é semelhante a dos quase 11 milhões de brasileiros que neste momento atravessam dificuldades para garantir o sustento das famílias e engrossam a fila dos desempregados no País. ?Recessão é este monte de desempregados que vive como vendedores ambulantes nas ruas do Centro de Maceió?, explica Jaqueline. Com o País mergulhado numa profunda crise econômica e de indefinições no comando político-administrativo nacional, o desemprego demonstra ser o resultado dramático deste momento da República brasileira. Os números oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sinalizam nesta direção. No primeiro trimestre de 2016, mais de 9,6 milhões de trabalhadores ficaram desempregados no Brasil. Os números indicam tendência de mais desemprego se não houver, em curto prazo, a retomada dos investimentos nas atividades produtivas. Os economistas e pesquisadores apontam que o desemprego já passa dos 11 milhões. Em Alagoas, segundo o Caged ? que representa a síntese do comportamento do mercado de trabalho formal ?, foram eliminados 22.680 postos formais de trabalho, uma queda de 6,09% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente no mês de março, 9.872 trabalhadores perderam o emprego com carteira assinada, o que representou uma retração de 2,74% em relação ao mês anterior.

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