Economia
Seca deve impedir safra recorde
Rio ? A estiagem que assola parte do cerrado brasileiro deve impedir que o País tenha uma nova safra recorde de grãos este ano. A previsão é que a produção atinja 205,4 milhões de toneladas, 1,9% inferior à de 2015, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de abril, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo foi fruto de revisões, sobretudo, nas lavouras de soja e de milho de 2ª safra, que estão menores do que o previsto em março. Apesar da calibragem nas estimativas, a produção brasileira de soja ainda alcançará o maior patamar da história, 98,5 milhões de toneladas em 2016, 1,3% maior que a registrada no ano passado. Mato Grosso lidera a produção nacional, com 28% de toda a safra do grão. Porém, o Estado espera colher 27,6 milhões de toneladas de soja, 1% a menos que o informado no mês de março. A avaliação de abril também trouxe reduções para as expectativas de produção do Maranhão (-29,8%) e da Bahia (-8,6%). ?As quedas mais acentuadas foram no Maranhão e na Bahia, mas há pequenas perdas em vários estados?, disse o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi. A estiagem foi o que prejudicou o rendimento das lavouras de soja em Estados do Nordeste e Centro-Oeste. Em Goiás, a seca chegou mais tarde e afetou a plantação de milho 2ª safra. ?Em Goiás, em 2015, a estiagem foi mais cedo e pegou a soja. Este ano, a estiagem veio mais tarde, então a soja não teve problema, mas pegou o milho 2ª safra?, disse Andreazzi. No total, a produção de soja será 1,7 milhão de toneladas inferior ao previsto em março. Mas a revisão foi maior para o milho 2ª safra, com 2,5 milhões de toneladas a menos que na estimativa anterior, queda de 4,5%. ?Houve aumento na área plantada (do milho 2ª safra), o que caiu foi a produtividade O preços estão excelentes. Então, não é questão de preço, a área plantada está até maior, a questão é climática?, explicou o gerente do IBGE.