Economia
Construtoras apostam em continuidade
São Paulo, SP ? Diante das incertezas que rondam a chegada de um novo governo, algumas das principais companhias que operam no Minha Casa Minha Vida (MCMV) apostam na continuidade ? e até na expansão ? das faixas 2 e 3 do programa. Executivos de Tenda, Direcional e MRV, companhias que apresentaram o balanço nesta semana, destacaram que interlocutores da gestão de Michel Temer no Planalto já sinalizaram apoio a esses segmentos, financiados principalmente com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, a linha mais popular do programa, a faixa 1, ainda é tratada pelo empresariado como dúvida, devido ao peso das obras no orçamento federal. As discussões sobre a faixa 1 não têm sido muito ?conclusivas, por enquanto?, afirmou recentemente o diretor presidente da Tenda e conselheiro da Abrainc, Rodrigo Osmo. Em teleconferência com analistas e investidores, o executivo relatou que tem conversado sobre o futuro do Minha Casa com vários interlocutores do governo Temer, que indicaram continuidade do programa, mas com possíveis ajustes. De acordo com Osmo, pode haver espaço para o empresariado contribuir com ajustes na recém-criada faixa 1,5. ?É uma discussão viva e queremos influenciar nisso?, apontou o diretor-presidente da Tenda. Apesar de anunciada pelo governo, a nova faixa ainda não teve contratações e, por isso, teria espaço para modificações. Entre as críticas do setor às condições atuais da faixa 1,5, está o sistema de lista para seleção dos compradores. Assim como na faixa 1, o segmento recém-criado exige cadastro de interessados na aquisição de imóveis e o governo federal seleciona os beneficiados. O problema, de acordo com o empresariado, é que isso inibe a prospecção dos clientes, análise de crédito e o processo de repasse. Embora a faixa 1,5 também conte com subsídios, o segmento exige crédito e envolvimento da renda das pessoas na aquisição.