Economia
Estoques de ambulantes encalham
Nas crises econômicas anteriores, os desempregados buscavam alternativa de sobrevivência na economia informal. Desta vez, os efeitos recessivos causam danos severos e praticamente não deixam muitas alternativas. Os estoques dos camelôs estão cheios e encalhados por conta dos 11 milhões de desempregados no Brasil ? 145 mil deles de Alagoas. O camelô Gilvan da Silva, do ramo de eletroeletrônico importado, mostrou equipamentos reprodutores de DVD e outros produtos encalhados desde dezembro. ?Estou neste ramo há 20 anos. Nunca tive tantos produtos encalhados por tanto tempo?. Os problemas se agravaram quando o dólar começou a subir em relação ao real, fazendo com que os produtos mais que dobrassem de preço. ?Agora ninguém vende nada?, lamenta Gilvan, que já chegou a ter três empregados e agora trabalha apenas com um filho. A situação dos camelôs de Alagoas é semelhante à da maioria dos comerciantes da economia informal no País, surpreendidos pelo agravamento da recessão, no ano passado. Em 2015, a informalidade movimentou no Brasil 16,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ? percentual idêntico ao registrado em 2014. Muito além do que um indicador, o número apresenta uma tendência de queda no mercado. A previsão da Fundação Getulio Vargas (FGV) para os próximos anos é de uma mudança no cenário do mercado informal. Indicadores como o aumento da inflação e do desemprego e a dificuldade de acesso ao crédito prejudicam este mercado, aponta pesquisa da instituição.