Economia
D�lar alto faz vendas de camel�s despencarem
Sem conseguir vender óculos importados do Paraguai e da China, o camelô Leanderson José da Silva deixou o currículo em várias empreiteiras na esperança de ser chamado para trabalhar na construção civil. Há seis meses sonha em deixar o ramo dos produtos importados na economia informal por falta de consumidores. Até bem pouco tempo atrás, Leanderson comercializava mais de 20 óculos por dia, chegando a faturar diariamente R$ 500 em média. Depois da alta do dólar e do desemprego em massa em setores como a construção civil e o comércio varejista, o ambulante passou a amargar prejuízos. Ex-trabalhador da construção civil, o camelô ganhava dois salários mínimos e tinha carteira profissional assinada com direito a vale transporte e plano de saúde. Em 2014, resolveu largar todas as vantagens do emprego formal para ser patrão. Investiu a economia pessoal no ramo dos produtos importados e, até junho do ano passado, segundo ele, o investimento valeu a pena. Agora, Leanderson é dos quase mil camelôs de ?xing-ling? ? como são popularmente conhecidos os produtos importados de países asiáticos como China e Coreia ? que estão com as mercadorias encalhadas nas bancas localizadas na Praça Palmares, na feira de camelô próxima ao antigo Ginásio Estadual e de outras ruas também do Centro de Maceió e cidades da região metropolitana. A recessão, segundo o IBGE, fez aumentar de 120 mil para 145 mil o número de trabalhadores desempregados. Os camelôs reclamam da crise econômica, do desemprego dos clientes e a alta do dólar. Sem ter para quem vender, a maioria quer voltar e não consegue ser trabalhador formal. Muitos passaram anos sem se reciclar profissionalmente. Os comerciantes informais lembram saudosamente quando, até dois anos atrás, faturavam mais de R$ 500 por dia. Hoje, enfrentam dificuldades para conseguir R$ 3, dinheiro necessário para o almoço no restaurante popular. ?Sou camelô há mais de 10 anos, esta é a primeira vez que na maioria dos dias não consigo ganhar o dinheiro do almoço?, desabafou Rosimeire dos Santos. Ela diz que vai insistir no ramo de confecções até junho, quando as vendas de São João costumam aquecer o mercado dos ambulantes. ?Se não melhorar, vou procurar outra coisa para ganhar dinheiro. Não dá mais para viver como camelô?, reclama.