Economia
Governo e ind�strias discutem libera��o de pre�os dos rem�dios
Brasília - Representantes do Ministério da Saúde e dos laboratórios farmacêuticos voltam a se reunir hoje para discutir a política de preços que será adotada para os medicamentos no período de março a junho. Deve ser debatida a possibilidade de uma liberação nos preços de alguns remédios, a pedido da indústria, por conta de uma forte pressão nos custos dos fornecedores. O setor é um dos poucos em que há intervenção do governo na determinação dos preços dos produtos. Ainda será abordada a hipótese de o governo reforçar a compra de medicamentos como forma de elevar a produção e o faturamento das indústrias. Na prática, com essas propostas na mesa, a idéia do encontro é dar continuidade às negociações que ainda se arrastam entre o ministério e os laboratórios. Nas últimas conversas, apareceram divergências em relação a alguns pontos. Por exemplo: para março já está previsto um novo reajuste de preços dos medicamentos, de 8,63%, para compensar a desvalorização do real ocorrida em 2002. Mas o governo já deu a entender que espera, em seguida, que ocorra novo congelamento de preços, por mais três meses, com o apoio da indústria. Os fabricantes não aceitam a medida, a princípio. Dizem que estão com tabelas defasadas. Em novembro, a Camed (Câmara de Medicamentos) - órgão do governo - autorizou reajuste de 8,63% nos preços dos remédios. A reivindicação do setor era de aumento de 18%. Fabricantes ouvidos pela reportagem acreditam que, agora, o ideal seria a liberação dos reajustes de preços, no segundo trimestre, para alguns produtos - e não o congelamento total. Em queda Na opinião de grandes laboratórios, como o Novartis, por exemplo, ?é preciso ver a possibilidade de centrar o debate menos na questão dos preços? e mais na forma de elevar a compra de itens por parte do governo. No ano passado, foi comercializado 1,61 bilhão de unidades de remédios no país, com queda de 1,2% sobre 2001. Em 1997, esse número chegava a 1,85 bilhão.