Economia
Senado aprova presidente do BC eleito por Temer
Brasília, DF ? O plenário do Senado Federal aprovou ontem a indicação do economista Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central. A indicação foi feita pelo presidente em exercício Michel Temer. Ilan ocupará o cargo de Alexandre Tombini. A indicação contou com o apoio de 56 senadores e apenas 13 votaram contrariamente, mais um vez reforçando a expressão da base de Temer no Senado. Apesar da aprovação da indicação, Goldfajn não deve participar da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se iniciou ontem e termina hoje. Conforme apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o governo não deve correr com a posse de Ilan. A reunião do Copom define a taxa básica de juros da economia brasileira. Apesar de o governo Temer possuir maioria no Senado, a discussão sobre a indicação de Ilan foi acirrada. Os senadores da oposição pediram a palavra diversas vezes para questionar a troca da presidência do Banco Central durante um governo interino e possível conflito de interesses, já que Goldfajn é sócio do Itaú Unibanco. Goldfajn é economista, com mestrado pela PUC e doutorado pelo MIT. Ele foi diretor de política econômica do BC entre 2000 e 2003. INFLAÇÃO Em seu primeiro discurso após ser indicado pelo presidente interino Michel Temer para comandar o BC, Ilan disse que a inflação baixa é condição essencial para a retomada do crescimento econômico e prometeu colocar o índice de preços ao consumidor na meta de 4,5%. ?Nosso objetivo será cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, mirando o seu ponto central?, afirmou. As afirmações foram feitas durante a sabatina do economista na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado). Desde 2009, a inflação medida pelo IPCA não fica próxima ao centro da meta. Nos 12 meses encerrados em abril, a taxa está acima de 9%. ?Nossa história recente bem demonstra que níveis mais altos de inflação não favorecem o crescimento econômico, pelo contrário, desorganizam a economia, inibem o investimento, a produção e o consumo e impactam negativamente a renda, o nível de emprego e, por fim, o bem-estar social, especialmente das classes menos favorecidas?, afirmou Ilan.