Economia
Cultura do coco em vias de extin��o
Maragogi ? A cultura do coco já foi considerada a terceira mais importante do setor do agronegócio em Alagoas. A atividade, entretanto, caminha para a extinção. O alerta apocalíptico é do presidente da Associação dos Produtores de Coco de Alagoas (Prococo), Bruno Brandão. Como causas para o aniquilamento, ele aponta a política equivocada de incentivos fiscais ? que favorece a importação em detrimento da produção local ? e os 33 tipos de pragas que dizimam plantações inteiras de Norte a Sul do Estado. ?Mês passado mesmo foram erradicados mais dois mil coqueirais e isso tem se repetido todos os meses. Se continuarmos nesse ritmo, pouca coisa vai sobrar?, vaticinou Brandão. Ao assumir a presidência da Prococo, ele apresentou uma relação com dez pleitos do setor ao secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Vasconcelos. O primeiro deles passa pela questão fiscal. Alagoas é o Estado líder em importação de coco no Brasil. Enquanto o governo federal taxa o produto importado para proteger a produção doméstica, por aqui se oferta incentivo fiscal. ?Se a indústria comprar coco produzido em Alagoas, é punida com o pagamento de ICMS, 335% mais caro que o imposto do coco importado. E mais: o coco e seus derivados já chegam industrializados e são apenas fracionados e embalados aqui com incentivos fiscais de indústria, o Prodesin. Esse incentivo somente deveria ser concedido ao produto efetivamente industrializado aqui, mas jamais ao produto que já vem pronto do exterior.?, explica Brandão. Nesse cenário, até 95% do coco produzido em Alagoas acaba sendo vendido para fora. São Paulo é o maior comprador. Absorvem, ainda, a produção os estados do Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Paraíba. ?Pouca coisa fica por aqui por falta de compradores?, lamenta o presidente da Prococo. ?As maiores indústrias preferem comprar o coco importado por causa do incentivo concedido pelo governo do Estado?, completa.