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Fila do desemprego tem 11,4 milh�es de brasileiros

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Rio de Janeiro, RJ ? O número de brasileiros na fila do desemprego continuou subindo, chegando a 11,440 milhões de pessoas no trimestre encerrado em maio, segundo informou na quarta-feira, 29, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É como se quase toda a população de São Paulo (estimada em 11,9 milhões de habitantes em 2015) estivesse desempregada. Com isso, a taxa de desemprego atingiu 11,2%, repetindo o recorde já registrado em abril. O contingente de desempregados (ou população desocupada) foi recorde em maio. Ficou acima dos 11,411 milhões registrados no trimestre móvel até abril na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Em um ano, 3,284 milhões de pessoas entraram na fila do desemprego, número superior à população de Brasília (2,9 milhões). Para o economista João Sabóia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, a piora no mercado de trabalho em 2015 foi muito rápida e continua neste ano. ?A expectativa em 2014 era de que o desemprego já iria piorar, mas ele aguentou. Quando o mercado de trabalho reagiu (à recessão), reagiu de forma muito intensa e isso continua?, disse. RENDA ENCOLHE Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, identifica um ?ciclo vicioso? no mercado de trabalho, com perda de rendimento e queda na qualidade do emprego. A renda média encolheu 2,7% na comparação com um ano atrás e ficou em R$ 1.982 em maio. Analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, consideram que os dados divulgados reforçam a perspectiva de que a deterioração do mercado de trabalho vai persistir pelo menos até o fim do ano e poderá atingir o início de 2017. ?A taxa de desemprego deve piorar até meados de 2017, para só depois começar a reverter este movimento de deterioração?, disse o economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão. A percepção se baseia no fato de que a atividade econômica tende a se estabilizar no fim do ano, mas num nível muito baixo, considerado ?o fundo do poço?. Sabóia lembrou que, normalmente, o desemprego demora a reagir aos ciclos econômicos: quando a atividade retrai ou desacelera, o desemprego demora a subir, mas, quando a economia acelera, o desemprego também demora a cair. Azeredo chama atenção para o aumento de empregos informais ou precários, como bicos. Em um ano, o contingente de empregados no setor privado com carteira assinada encolheu em 1,520 milhão de pessoas, uma queda de 4,2%.

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