Economia
Fim de programa frustra alagoanos
O arrocho nas contas públicas, promovido pela gestão do presidente interino Michel Temer (PMDB), atingiu o programa Ciências Sem Fronteiras (CsF), que foi cancelado no último dia 23. Gerido pelo Ministério da Educação, o programa promovia o acesso de estudantes brasileiros de graduação a universidades estrangeiras, através do pagamento de bolsas de estudo pelo poder executivo federal. Em seus cinco anos de funcionamento, os custos chegaram a mais de R$ 8 bilhões. O programa que oferecia a possibilidade do aluno em nível de graduação estudar uma ou mais matérias em outras universidades no exterior ? ato conhecido como ?graduação sanduíche?? representava 79% da demanda do Ciências sem Fronteiras (CsF). Nesses quatro anos de existência, o governo bancou os custos de 73.353 bolsas de estudos. Dessas, 622 foram oferecidas a alagoanos ? 538 deles da Universidade Federal da Alagoas. É o caso da estudante de arquitetura Anna Karine Oliveira, que fez intercâmbio na instituição De Montfort University, em Leicester, na Inglaterra. ?Nossas matérias, trabalhos e carga horária eram idênticas às dos alunos regulares e tínhamos de cumprir tudo, além do projeto de verão que era aplicado só para os alunos do CsF?, conta. Anna Karine informa que, durante o ano em que permaneceu no exterior, recebeu uma bolsa mensal, auxílios viagem e seguro-saúde. ?O valor da bolsa era de 420 libras por mês. Era uma quantia suficiente, não era uma vida de luxo, claro, mas nunca passei perrengue por lá. O auxílio era mais ou menos 1500 libras, uma libra equivalia a 4 reais na época, a passagem foi 3700 reais, e o seguro mais um mil?, explica. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entidade gestora do programa, classificou as cidades que ofereciam as vagas em baixo e alto custos. Os estudantes que foram direcionados a cidades consideradas mais caras, recebiam uma quantia maior de auxílio. O alagoano Vinícius Arêdes esteve em Portland, nos Estados Unidos, entre os anos de 2013 e 2015. ?Eu era de uma cidade de baixo custo e só recebia 300 dólares por mês para gastos. Isso para mim foi suficiente. Tínhamos que comprar o material utilizado nas aulas e muitas vezes o mês ficou muito apertado ou não sobrou nada desse auxílio?, relata Vinícius. * Sob supervisão da editoria de Economia.