Economia
Taxa do cheque especial sobe para 171,5% ao ano
Brasília - A taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cheque especial atingiu 171,5% ao ano no mês de janeiro. Houve um aumento de 7,6 pontos percentuais em relação à média apurada em dezembro de 2002, quando a taxa média de juros do cheque especial era de 163,9% ao ano. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central. O levantamento do revela ainda um aumento de 3,5 pontos percentuais nos juros médios cobrados nas operações de crédito pessoal. Nessas operações, os juros passaram de uma média de 91,8% ao ano em dezembro do ano passado para 95,3% a.a. em janeiro. Não vai ser nada fácil para o Banco do Brasil (BB), a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) cumprirem a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estimular o crédito no País. O mercado passa por um dos piores momentos da história. A taxa de juros média cobrada pelos bancos das empresas e pessoas físicas, 54% ao ano, é a maior em quase três anos, apesar de a inadimplência estar no nível mais baixo desde o final de 2001. O alto custo das operações e o medo do desemprego fizeram a procura por crédito cair. As instituições financeiras privadas também reduziram a oferta e os bancos oficiais, que no lançamento do Plano Real respondiam por 57% do total de crédito concedido, hoje têm uma participação de 38%. No mês passado, o volume de empréstimos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) atingiu o pior nível dos últimos 11 anos: 23,8%. Desde abril de 1992, quando o estoque das operações de créditos correspondia a um pouco mais de 22% do PIB, não se registrava um volume tão baixo. Isso deixa o Brasil um pouco à frente apenas de economias como a Argentina, Venezuela e Paraguai, que enfrentaram sérias dificuldades econômicas nos últimos anos e também registram baixo estoque de crédito em comparação com o PIB.