Economia
Falta de demanda e caixa adiam projetos
São Paulo, SP ? O crédito caro não é o único ?vilão? que impede as empresas nacionais de investir. Com a economia em recessão, o brasileiro pisou no freio nos gastos e a demanda arrefeceu em vários setores. Shoppings, lojas e empreendimentos ficaram na gaveta, por falta de demanda. A incorporadora MRV, por exemplo, estima que tenha empreendimentos aprovados que somam um valor de R$ 1,7 bilhão no seu banco de terrenos, mas que estão na geladeira diante do cenário econômico. ?Se a economia estivesse mais pujante, já teríamos lançado?, diz o diretor executivo de Finanças da MRV, Leonardo Corrêa. A maré ruim da economia brasileira também fez a empresa ficar mais conservadora e trabalhar para chegar a um índice de alavancagem próximo a zero. ?Nós vamos atravessar o deserto. A ordem é deixar o cantil cheio?, explica Corrêa. De acordo com o presidente da Accenture na América Latina, Leonardo Framil, existe uma preocupação acima do normal dos presidentes das empresas em preservar o caixa da companhia. ?Eles não sabem como será o resultado operacional no futuro e o crédito está caro ou escasso?, afirmou. Muitas empresas já estão com dívidas altas e, com resultados fracos, agora enfrentam problemas para quitar os débitos. O estudo da Accenture aponta que as maiores empresas abertas brasileiras lucraram 47% menos em 2015 na comparação com 2014 ? um total de R$ 26,4 bilhões. No mesmo período, a dívida dessas empresas disparou 27%, para R$ 439 bilhões. O estudo considera os resultados das empresas listadas no índice IBRX-100, exceto as companhias do setor financeiro, Vale, Petrobrás e Gerdau. Muitas dessas empresas terão de buscar recursos no mercado, mesmo com o custo maior para pagar dívidas. Cerca de 90% das emissões de dívidas realizadas por empresas latinas em 2016 foram feitas para refinanciar as companhias, de acordo com relatório deste mês da agência de classificação de risco Moody?s. Só 9% dos recursos foram usados para investimento.