Economia
Paralisa��o no Tesouro pode afetar repasses
Brasília, DF ? Depois de ceder na queda de braço pelo reajuste dos servidores da Receita Federal no mês passado, o Ministério da Fazenda agora enfrenta uma rebelião por questões salariais também no Tesouro Nacional. Em busca justamente da equiparação com os ganhos dos auditores fiscais, 95 gerentes de projeto do Tesouro entregaram seus cargos ontem. Além disso, o restante do corpo funcional do órgão se comprometeu a não assumir os postos que ficarão vagos. Após três semanas de greve, o Unacon Sindical, que representa os servidores do Tesouro, protocolou no fim da tarde de ontem um ofício comunicando a saída de 95 dos 123 gerentes (77% do total). A paralisação já deixa o sistema do Tesouro Direto instável e pode começar a afetar repasses da União a Estados e Municípios. De acordo com o documento, a categoria aponta a recusa do governo em manter o realinhamento das remunerações dos servidores do Tesouro com outras carreiras da Fazenda, em especial da Receita Federal. A categoria está inconformada com os ganhos obtidos pelos auditores fiscais e argumentam que não querem virar uma carreira de segunda categoria. O ofício lembra que essa correlação salarial perdura há mais de uma década. ?Reconhecemos a situação fiscal do País, mas o governo descumpriu o compromisso com a categoria. Os servidores da Receita conseguiram que o acordo firmado fosse cumprido, e queremos garantir o mesmo para os funcionários do Tesouro?, afirmou Rudinei Marques, que assina o documento. Ele reclamou ainda do tratamento dispensado pela secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, às demandas do corpo funcional do órgão.