Economia
Expans�o do cr�dito alimenta a inadimpl�ncia
A expansão do crédito, vivenciada no País desde 2003, alimentou a inadimplência. Os juros, muitas vezes são estratosféricos, chegando a casa dos 700% ao ano, tornando quase impossível a quitação da dívida. Esses fatores contribuem para o aumento na inadimplência em Alagoas, que chegou a aproximadamente 30% da população em junho deste ano. ?O País empresta o dinheiro sem garantia. Há instituições financeiras que cobram 22% de juros ao mês sob o cartão de crédito. Isso pode chegar a 700% ao ano. Você não tem como pagar, a dívida se torna absurda?, explica Ubirajara Alves, assessor jurídico da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Alagoas. Aliando o grande crédito disponível à falta de controle dos gastos, a receita é catastrófica. ?Têm pessoas que acham que o limite do cartão de crédito ou do cheque especial é renda. Se o banco bloquear o limite do cartão, ele fica sem dinheiro pro mês, porque quando o salário cai a pessoa já pagou a fatura e fica sem dinheiro?, ressalta. Ubirajara acredita que as empresas de crédito também são responsáveis por incentivar o endividamento. ?Nós temos setenta bandeiras de cartão de crédito no Brasil. Não tem negócio melhor. Crédito negativado no Brasil chega a ter 22 % de juros ao mês e o Estado permite. Gerando uma dívida estratosférica. Essa questão no nosso País é muito séria. É preciso também responsabilizar o concedente?, explica. O assessor jurídico alega ainda que o crédito precisa ser concedido com responsabilidade. ?O País realmente precisa de crédito para crescer, mas é preciso dar crédito com responsabilidade, com garantia de pagamento. O código de processo civil não deu força executória a fatura do cartão de crédito ou o extrato da conta-corrente. Eles são simulados. Não é possível executar essa dívida, se pudesse, muita gente ia perder os bens?, argumenta. O comparativo com outros países da América Latina demonstra o quanto o juro pode ser considerado abusivo no Brasil. *Sob supervisão