Economia
Setor sucroalcooleiro de Alagoas diversifica pauta de exporta��es e amplia venda de a��car refinado
EDIVALDO JUNIOR Alagoas vai concluir as exportações da safra de cana-de-açúcar 2002/03 com a venda de cerca de 1,4 milhão de toneladas de açúcar ? sendo 1,2 milhão de demerara e 200 mil de refinado. A estimativa é do diretor comercial da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAA), José Ribeiro Toledo Filho, que também avalia que serão exportados pelo Estado entre 170 e 18o milhões de litros de álcool. Não existe, a priori, nenhuma novidade nestes números divulgados há algumas semanas, em primeira mão, na GAZETA DE Alagoas. Mas, eles revelam um novo perfil do setor scuroalcooleiro do Estado que está conseguindo, pelo segundo ano, diversificar suas exportações. Esta é a segunda safra seguida que o Estado exporta álcool e também ultrapassa a barreira das 200 mil toneladas nas vendas de açúcar refinado para o mercado externo. ?Diversificamos nossa pauta de exportações. Há três anos, nossas vendas de refinado no comércio exterior não passavam de 30 mil toneladas?, analisa José Ribeiro Toledo Filho. O Estado, acredita o diretor da CRPAAA vai se consolidar nos próximos anos com exportações em torno de 1,5 milhão de toneladas de açúcar . ?A tendência é reduzir o patamar do demerara para algo em torno de 1 milhão de toneladas e elevar o volume de refinado para cerca de 500 mil toneladas?, antecipa. Retorno As indústrias e o Estado vào ganhar mais com o aumento do volume de exportação do açúcar refinado, segundo José Ribeiro Toledo Filho. O produto é mais valorizado no mercado ? nesta safra o prêmio em relação ao demerara oscilou entre US$ 45 e US$ 90 por tonelada ? e exige mais mão de obra, tanto na fabricação, quanto no transporte. ?É um produto com maior valor agregado, que proporciona um maior retorno tanto para as empresas quanto para a economia do Estado?, explica. O açúcar refinado exportado por Alagoas na safra 2002/03 foi negociado principalmente com países da África, a exemplo da Nigéria, e do Oriente Médio. Investimento Hoje apenas seis usinas alagoanas estão disputando o mercado de açúcar refinado. Destas, quatro (Leão , Triunfo, Uruba e Santo Antônio) possuem refinarias e produzem o açúcar cor 45. As outras duas ? Caeté e Coruripe - produzem um açúcar cristal especial, muito próximo do refinado, classificado como cor 100. A expectativa da CRPAAA é que as indústrias, cooperadas ou não, aumentem a produção de açúcar refinado para atender o novo mercado que vem sendo explorado por Alagoas. ?Além de ampliar as refinarias existentes, é preciso que novas refinarias sejam instaladas no Estado. A minha impressão é de que nos próximos anos, sejam feitos investimentos nesse segmento?, afirma José Ribeiro Toledo Filho Exportações As safras alagoanos de cana no novo milênio têm se destacado pelo crescimento no volume de exportações. Hoje o volume de vendas para o mercado externo é mais de duas vezes maior do as exportações do início da década passada. Segundo a CRPAAA, na safra 2000/2001, Alagoas exportou 1.285 mil toneladas. Desse total, 28 mil toneladas eram açúcar de refinado. Na safra seguinte, as exportações somaram 1.213 mil toneladas, sendo 234 mil toneladas de refinado. Na safra atual, que deve terminar esta semana, a estimativa é de um volume recorde de exportação de açúcar ? 1.430 mil toneladas, sendo pelo menos 200 mil toneladas de refinado. Um comparativo com o setor sucroalcooleiro de Pernambuco pode revelar o quanto Alagoas cresceu suas exportações de açúcar nos últimos anos. Em 96 as usinas pernambucanas exportaram cerca de 590 mil toneladas de açúcar, contra cerca de 690 mil toneladas das usinas alagoanas. Nesta safra, Pernambuco deve exportar cerca de 600 mil toneladas de açúcar e Alagoas desponta com uma exportação recorde de 1,43 milhão de toneladas. A busca pelo mercado externo é a estratégia utilizada pelas usinas de Alagoas não só para manter o espaço conquistado, mas especialmente para continuar crescendo.