Economia
Infla��o oficial fica em 0,18%
Rio de Janeiro, RJ ? Com a ajuda de uma nova queda nos preços dos alimentos, a inflação oficial no País surpreendeu positivamente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de alta de 0,26% em outubro para 0,18% em novembro, o menor resultado para o mês desde 1998, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os aumentos de preços foram ainda mais comportados do que as estimativas mais otimistas do mercado financeiro, e o resultado mudou o cenário para a inflação na reta final do ano. Economistas refizeram suas projeções e já esperam que o IPCA encerre 2016 dentro do teto de tolerância de 6,5% da meta estabelecida pelo governo. Desde a implementação do regime de metas para a inflação, em 1999, houve estouro do teto de tolerância nos anos de 2001, 2002, 2003 e, mais recentemente, em 2015. Levantamento do Broadcast Projeções mostra que, na média, analistas de mercado preveem IPCA de 0,45% em dezembro, o que resultaria em 6,45% no ano. Esse resultado livraria o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, de escrever para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, uma carta oficial explicando o motivo de a inflação ter estourado o teto da meta. Por outro lado, aumentam as pressões por uma velocidade maior no ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic. No fim de novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu, por unanimidade, cortar a taxa Selic em apenas 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano. O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, comemorou o arrefecimento da inflação em novembro. O resultado permite que o BC possa dar ?continuidade à queda dos juros?, disse. ?Vamos ver se a meta será atingida neste ano. Mas o IPCA não deixa de ser uma notícia muito boa. A queda de juros já começou?, disse. Em novembro, as famílias gastaram 0,20% menos com alimentação e bebidas. Vários itens ficaram mais baratos, com destaque para o leite longa vida, feijão-carioca, tomate e batata inglesa. ?O clima ajustou, a demanda está baixa, e, além disso, tem um terceiro fator, que é a perspectiva de safra boa no próximo ano. Então, quem está segurando estoques comercializa, tem uma entrada maior de produtos no mercado?, explicou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.