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“O Brasil hoje � esperan�a e preocupa��o”

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Presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Luiz Otávio Gomes é o único alagoano escolhido para integrar o cobiçado Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), fórum consultivo instituído pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Formado por 82 pessoas representativas dos mais diferentes segmentos da sociedade brasileira, o CDES está se dedicando ao estudo das propostas para as polêmicas reformas da Previdência e Tributária. Luiz Otávio, antes de presidir a CACB, destacou-se com uma elogiada gestão na Associação Comercial de Maceió, que recuperou uma posição de grande representatividade política em Alagoas (foi a entidade pioneira na luta pela instalação das urnas eletrônicas em todo o Estado), realizando debates estratégicos como os Fóruns de Desenvolvimento Econômico. No campo cultural, sua gestão foi marcada pela restauração do Palácio do Comércio (em Jaraguá). Ao se aproximar o término de sua gestão como presidente da CACB, teve seu nome lançado antecipadamente como candidato de consenso à reeleição para a presidência da entidade, confirmando o prestígio político. Nesta entrevista, fala sobre os rumos do Brasil e os trabalhos do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. ### GA - Como vê o Brasil, hoje? Luiz Otávio ? Com muita esperança e muita preocupação. A esperança tem sua base na confiança do povo e das lideranças empresariais no novo presidente. Essa confiança, entranhada em todas as camadas sociais e nos mais variados grupos políticos, é, nessa forma e intensidade, inédita. A preocupação fica por conta da magnitude dos problemas que exigem resposta numa conjuntura internacional das mais graves, com a guerra sendo uma ameaça real, com reflexos dramáticos na economia global. - Nessa conjuntura, qual o papel do CDES? - Estudar e propor ao presidente da República idéias práticas, representativas do mais largo espectro social brasileiro, para serem encaminhadas aos poderes competentes, como o Congresso Nacional. O conselho funciona como um filtro, selecionando as demandas de cada segmento e aprofundando as polêmicas sobre os principais temas para o futuro brasileiro. Essas propostas não serão votadas e sim detalhadas e apresentadas ao presidente, privilegiando-se o consenso. Onde não existir consenso, apresentar-se-ão as várias opções estudadas. - Quais as prioridades do conselho? - No momento, os principais esforços estão concentrados no estudo da Reforma da Previdência, uma questão essencial para o futuro do Brasil. A meta do Conselho é entregar suas sugestões ao presidente Lula no dia 10 de abril. - Dará tempo para isso? - Não se pode perder mais tempo, ou o Brasil quebra pelos erros do atual sistema previdenciário. Em minha avaliação, o governo Lula só tem um ano para tomar decisões desse tipo, como as reformulações estratégicas na previdência e no modelo tributário. As mudanças no Brasil não podem esperam mais, se forem postergadas, as esperanças serão minadas. - Como ficam as micro e pequenas empresas? - A CACB é a representante por excelência dos empreendimentos de micro e pequeno portes. Apostamos em reformas que possibilitem a esses segmentos um desempenho coerente com suas grandes potencialidades. Defendemos a simplificação dos impostos e extensão dos créditos e financiamentos às micro e pequenas empresas. Entre as propostas práticas, podemos citar a necessidade do Simples vir a atender as empresas de serviços. Das 4 milhões de empresas brasileiras na formalidade, 98% são micro e pequenos empreendimentos. Em compensação, dos 60 bilhões de dólares exportados pelo Brasil, apenas 2% correspondem a produtos dessas micro e pequenas empresas (MPEs). Essa desproporção é um absurdo, pois as MPEs são as grandes responsáveis pela ocupação produtiva da mão-de-obra em todo o Brasil. Na Itália, por exemplo, 70% das exportações correspondem aos produtos das micro e pequenas empresas italianas. - Como resumiria suas preocupações e esperanças? - Não pode haver desenvolvimento sem implementação do crescimento econômico em parceria com a evolução social. Sem emprego produtivo não há como se combater a miséria. Desenvolver com ênfase no social é o grande desafio, talvez aí se reúnam as maiores preocupações e esperanças. A grande esperança da CACB é unir os micro e pequenos empresários em todo o Brasil e associar essa unidade ao processo maior de construção de um País moderno, integrado à economia globalizada sem perder de vista a necessidade de resolver os graves problemas sociais brasileiros. Apostamos nessa chance e o Conselho é uma das mais eficientes ferramentas para se defender esses projetos.

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