Economia
Consumidor evita contrair novas d�vidas
São Paulo, SP ? Este final de ano tende a ser de crédito minguado. Nos últimos 12 meses, a oferta de financiamentos para as empresas caiu cerca de 40%. Para as pessoas em geral, o tombo foi maior ainda, de 60%. O pior é que o desfecho desse segundo ano de economia em recessão pode ser apenas o início de um ciclo de escassez ainda maior, na avaliação do economista Marcos Lisboa, presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. ?Temo que o País esteja vivendo uma mudança estrutural: a oferta de crédito desceu um degrau - ou vários. Vamos precisar de muitos anos, de reformas e de melhorias no ambiente regulatório para os bancos, na recomposição do capital das empresas e do orçamento das famílias, para que a gente volte ao patamar de crédito que vimos nos últimos anos.? Nesta virada de ano, o espírito segue nessa linha: a prioridade é tentar quitar financiamentos já feitos e não contrair novas dívidas. A professora Marina Morena, de 41 anos, foi às compras natalinas movida pela boa vontade. Não tem filhos. Costuma comprar mimos para crianças carentes. ?A crise é para todos, e a gente pode aliviar a de quem tem menos?, diz. Nas sacolas, boneca, bola, brinquedos ?mais em conta?. Mas Marina tem destino certo para fatia mais gorda de todo dinheiro que entrar: pagar cerca de R$ 9 mil do cheque especial e do cartão de crédito - que, ela já avisou ao banco, não quer mais. ?Não vai sobrar nem para Miojo quando eu quitar tudo, mas não quero virar o ano com dívidas?, diz.