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V�nculo informal gera grande impacto

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Para o professor da Fundação Dom Cabral, o caso de Pereira é simbólico. Segundo ele, organizações como o Uber, que estão buscando vínculo informal de trabalho, trazem um impacto significativo sobre a classe trabalhadora. ?Se no começo o Uber era para quem tinha competências sociais e relacionais, agora tem gente colocando ar condicionado, alugando carro ou trocando por outro melhor para se capacitar?, diz Sant?Anna. ?Você transfere o custo de capacitação para os trabalhadores. Nesse jogo desigual de forças, o trabalhador é que tem de se provar competente, e não a empresa preparar esse sujeito.? Segundo ele, estaríamos caminhando para um modelo onde o trabalhador tem de matar um leão por dia, pior do que existia na Revolução Industrial. ?Como esse indivíduo vai se qualificar e inovar??, questiona Sant?Anna. As críticas do professor encontram eco nas afirmações do jornalista americano Steven Hill, autor do livro Raw Deal: How the Uber Economy and Runaway Capitalism Are Screwing American Workers. Hill defende uma flexibilização associada a um tratamento melhor da força de trabalho em empresas como o Uber. Em artigo recente, o jornalista diz que os trabalhadores são pagos apenas pelos exatos minutos que produzem. Para ele, esse tipo de modelo carece de regulamentação. ?Se as empresas americanas querem bons funcionários, elas têm de oferecer trabalhos decentes?, disse em artigo recente. Petrônio Lima, 40 anos, torce o nariz para os especialistas. ?Se não tivesse o Uber, ia fazer o quê? Vender água no farol?, diz. No Uber há 8 meses, Lima tira máximo proveito da flexibilidade das novas tecnologias. O calhamaço de mais de 1 mil páginas sobre Direito Civil, no banco do passageiro, denuncia. Usa o tempo ocioso para estudar, procurar emprego e participar de entrevistas de emprego. Lima cursa Direito de manhã, trabalha a tarde toda e um pedaço da noite. ?Fecho o dia fazendo uma esteira. Tem de se exercitar para aguentar a jornada?, conta. O motorista folga no dia do rodízio e trabalha dois finais de semana por mês. Diz faturar em torno de R$ 4 mil líquidos por mês.

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