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Deficit da Previd�ncia cresce 74,5%

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Brasília, DF ? A desaceleração da economia e o encolhimento do mercado de trabalho contribuíram fortemente para a ampliação do deficit do INSS em 2016. O rombo chegou a R$ 149,7 bilhões, 74,5% mais do que em 2015. Como o emprego ainda não deve reagir este ano, especialistas avaliam que o resultado negativo da Previdência Social neste ano não só deve se repetir, mas pode ser ainda maior do que a previsão de R$ 181,2 bilhões do governo federal. Técnicos da Previdência admitem que a estimativa oficial é a menos precisa, uma vez que ainda não há informações disponíveis sobre ritmo de arrecadação previdenciária em função da temperatura do mercado de trabalho. O secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, reconheceu que a previsão pode ser revista ao longo do ano. A Previdência urbana foi a que mais refletiu a desaceleração da economia. Superavitário entre 2009 e 2015, o segmento teve resultado negativo de R$ 46,3 bilhões no ano passado. A Previdência rural registrou rombo de R$ 103,4 bilhões. ?O deficit cresceu em 2016 por questões conjunturais e estruturais. Mas se existe momento de baixa geração de emprego, e a arrecadação é muito pautada pela folha, é natural que o deficit aumente?, disse Caetano. Na conta de fatores estruturais, o secretário mencionou o envelhecimento da população, que é contínuo e tem ocorrido de forma acelerada. Mas, segundo ele, no ano passado a questão conjuntural foi mais forte. As receitas previdenciárias cresceram 2,2% em termos nominais (sem descontar inflação), para R$ 358,137 bilhões. Enquanto isso, as despesas avançaram 16,5%, para R$ 507,871 bilhões. O economista Paulo Tafner, especialista no tema, avalia que o rombo em 2017 ficará entre R$ 195 bilhões e R$ 200 bilhões. ?Não vamos atingir um desemprego tão baixo, como já observamos, em pelo menos 10 anos. Primeiro tem de recuperar todo o emprego perdido, o que demora muito, não é rápido. Além disso, teria de gerar adicionalmente, por ano, 1,5 milhão de novas vagas. Seria uma década crescendo 4%, 4,5% ao ano.? Segundo Tafner, isso mostra que as receitas previdenciárias não se recomporão tão rapidamente, mesmo com geração de emprego no fim de 2017, como é esperado. Por isso, o deficit será mais intenso neste ano.

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