Economia
Produtor rural perde rebanho para a estiagem
São José da Tapera ? Todos os dias, o produtor rural José Souza vê seu rebanho de vacas leiteiras minguar. Na fazenda que tem mais de 750 tarefas de área e que já abrigou rebanho de mais de 150 cabeças de gado, animais de raça não estão resistindo à seca e morrendo. ?Já morreram mais de dez vacas e sei que, nos próximos dias, mais duas também vão morrer. Por mais que a gente tente levantar, elas não conseguem mais ficar de pé e quando elas arriam, é só questão de tempo para elas morrerem?, afirmou o agricultor, que tem 90 anos e disse que nunca passou por um período de seca tão severo como o atual. ?A situação foi muito difícil na seca de 1970, mas não chegou nesse ponto de agora, não. Morreram animais de fome, mas ainda se encontrava algum pasto, alguma coisa para dar de ração, mas agora não tem nada mesmo?, declarou. De acordo com ele, no momento, o rebanho, que é composto por menos de 70 cabeças, no momento dá apenas despesa. ?Mesmo que venha o bagaço de cana, não dá para sustentar os animais, porque não tem vitamina nenhuma. A gente tenta comprar palma, mas também está difícil de achar. Sem ração, as vacas não dão leite e os bezerros são os primeiros a morrer. Vender não adianta, quem iria comprar animais sem ter condições de alimentar? Sem falar que, se alguém quisesse, o preço está muito desvalorizado?, declarou. José Souza afirma que todos os dias, ao olhar para o curral, se entristece com a situação dos animais. ?A gente faz de tudo para manter. Quando um deles arria, vai buscar uns paus para tentar levantar, mas quando isso acontece é porque já estão com as pernas fracas. Elas levantam, mas depois, vão para o chão de novo, e a gente continua levantando, até que elas não podem mais. Pouco tempo depois, elas morrem?, disse.