loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Procura por concursos cresce at� 30% no Pa�s

Ouvir
Compartilhar

São Paulo, SP ? Caroline Santos, de 28 anos, hoje corre do emprego em um escritório de advocacia, em São Paulo, para uma maratona de aulas noturnas preparatórias para a carreira de procuradora pública. No mês que vem, tudo vai mudar. Ela vai colocar em prática seu plano de largar o emprego e se dedicar a uma rotina de 12 horas por dia de estudo. ?Sempre fui muito preocupada com o futuro. Quando me formei em Direito e fui trabalhar em uma empresa, percebi que a rotina estafante de dedicação, sem garantia de emprego, não era o que eu queria. Quero um trabalho que me complete, mas que não me sufoque?, diz. Porto seguro em tempos de crise, o emprego público atrai um número cada vez maior de brasileiros. A quantidade de alunos em escolas preparatórias cresceu até 30% em 2016 em todo o Brasil, segundo cursinhos. A queda nas vagas ofertadas em concursos no ano passado, porém, é estimada em 20%. Até novembro, foram aplicadas 17 mil provas em todo o País, segundo dados da PCI, que reúne informações de concursos. Em 2015, foram 19 mil. A paulista Pamela Passos da Silva, de 24 anos, sentiu a recessão na pele. Perdeu o emprego de auxiliar administrativa em uma empresa e teve de parar a faculdade e o cursinho preparatório para o concurso de auxiliar de necropsia, da Polícia Civil, seu objetivo há quatro anos. Ela agora estuda por conta própria para a seleção e aceitou uma vaga em um frigorífico, mesmo com um salário menor, para concluir os estudos. CARREIRA O emprego público tornou-se alvo das medidas de austeridade anunciadas por União e estados. Ainda que atraia muitos brasileiros que perderam espaço na iniciativa privada, o mundo ?cor-de-rosa? da carreira de servidor, em parte, desbotou. Para o economista José Pastore, além de menos vagas e editais, as carreiras públicas devem ter falta de reajuste e os salários ficarão defasados nos próximos anos. O cenário só deve se reverter em cerca de cinco anos, desde que puxado pela retomada do setor privado e consequente alta da arrecadação. ?Atualmente, muitas vagas que surgiram com a aposentadoria ou morte de servidores não são preenchidas. O candidato é aprovado e o órgão não tem verba para contratá- -lo, o famoso ?passei, mas não fui chamado?, ou nem é autorizado a promover novas seleções?. ?O quadro fiscal atual no Brasil não é nada favorável para a ampliação de empregos no setor público?, diz Helio Zylberstajn, professor da USP. ?Alguns estados têm lutado para pagar salários, e o aumento do quadro de servidores ficou mais improvável em um futuro próximo?. ?Quem pensa em concursos sabe que a preparação pode ser longa, de no mínimo dois anos. Mas a crise vai passar. Se agora o governo evita abrir concursos, terá de suprir a demanda no futuro, com novos editais?, diz Marco Antonio Araújo Júnior, da Damásio Educacional e da Anpac, associação de proteção ao concurso público.

Relacionadas