Economia
Trabalho de dom�stica cai de 51,5% para 16%
Rio de Janeiro, RJ ? O trabalho doméstico atrai cada vez menos mulheres jovens no País. A proporção de empregadas domésticas com até 29 anos caiu 35,5 pontos percentuais em 20 anos: de 51,5% em 1995 para 16% em 2015. Os dados foram divulgados esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fenômeno foi atribuído ao aumento na escolaridade da população jovem e à ampliação das oportunidades em outras áreas, como serviços prestados a empresas e às famílias. ?Ninguém nasce com o sonho de ser empregada doméstica. Essas meninas tiveram acesso aos estudos. Existiu um movimento no Brasil em que houve oportunidade de se colocarem em postos de trabalho como o de serviços prestados a empresas. Isso acabou evitando que entrassem no serviço doméstico, foi a melhora da educação e a oportunidade de se empregar em outro setor?, explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. O pesquisador Tiago Barreira, do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), lembra que o acesso ao Ensino Médio avançou justamente nas últimas duas décadas. ?Foi uma época em que a população foi aos poucos se instruindo ao longo dos anos. O Ensino Médio começou a caminhar para uma universalização, o acesso ao ensino superior também avançou nas camadas mais pobres, devido a políticas de estímulo, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil, do governo federal). Os jovens acabaram procurando outros empregos?, avalia Barreira. ?Com a crise e o desemprego, elas estão voltando ao trabalho doméstico?, completa Azeredo. A renda das domésticas saltou 64% nesses 20 anos, atingindo valor médio de R$ 739 em 2015. Ainda assim, o rendimento médio ficou abaixo do salário mínimo da época, de R$ 788.