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Classe m�dia apela para o atacarejo

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As dificuldades para tentar manter o padrão de consumo e fechar as contas do mês na crise atual provocaram atitudes diferentes do consumidor, dependendo da faixa de renda. Enquanto os mais pobres recorreram ao fiado, que depende mais de uma relação interpessoal de confiança entre o dono da loja e o cliente, o brasileiro com maior renda, mas também com o bolso apertado por causa da recessão, optou pelo atacarejo para economizar, explica Raquel, especialista da Nielsen. O atacarejo é um modelo de loja despojado comparado ao supermercado comum, que vende no varejo produtos com preço de atacado por conta dessa redução na despesa da loja. CADERNETA Edilson de Oliveira, dono do Mercadinho Sambelar, no bairro Vila Jerusalém, em São Bernardo do Campo (SP), tem enfrentado tempos difíceis. Desde que abriu a pequena loja com dois caixas, há 21 anos, aceita vender na caderneta para os moradores conhecidos do bairro. A venda fiado para conhecidos era uma forma de fidelizar a clientela, oferecendo um atrativo em relação à loja do hipermercado Carrefour que fica na vizinhança. Mas, de um ano e meio para cá, Oliveira tem desempenhado a difícil tarefa de recusar esse tipo de venda para desconhecidos. E não são poucos os que têm procurado a loja para comprar pela caderneta. ?Recebo entre 10 e 15 ligações por mês de gente pedindo fiado. Outros vem à loja e encontram clientes marcando a compra na caderneta e também querem o mesmo benefício. A procura pelo fiado aumentou muito?, conta o microempresário. Ele diz que chegou a aprovar abertura de novas cadernetas, mas pelo fato de não conhecer bem esses clientes, que são moradores novos do bairro, decidiu recusar a venda, com medo do calote. Oliveira explica que a renda da população da região é muito dependente do desempenho da indústria automobilística. ?Estou muito próximo da Volkswagen e não muito longe da Ford. Essas foram as primeiras empresas a cortaram funcionários por conta da crise. Há muitos desempregados por aqui?.

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