Economia
Crise faz consumidor alagoano trocar carro zero km por usado
Passando por uma das piores crises econômicas da história do País, o brasileiro mudou os hábitos de consumo, inclusive na hora de comprar automóvel. Se antes o crédito fácil e os incentivos fiscais do governo facilitavam a compra do veículo zero km, atualmente, com o crédito mais difícil, a procura por carros usados tem se mostrado uma alternativa na hora de adquirir o produto. Segundo dados da Unidade de Financiamentos da Cetip, que opera o maior banco de dados privado de informações sobre financiamentos de veículos do País, o Sistema Nacional de Gravames (SNG), dos 3.130 veículos financiados em Alagoas no mês de fevereiro, 1.421 eram usados, um percentual de 45% do total. No Brasil, o financiamento de veículos usados já representa 66,6% do total, segundo levantamento feito pelo mesmo órgão. Os dados da Cetip mostram que foram financiados no Brasil 123,4 mil ?usados jovens? ? aqueles veículos que têm de 4 a 8 anos ?, contra 44,5 mil seminovos. Os ?usados maduros?, que têm de 9 a 12 anos, tiveram 35,3 mil unidades financiadas. Já os com mais de 12 anos de uso foram 12,1 mil. Os carros zero financiados chegaram a 70,4 mil em fevereiro. Júlio Silveira, diretor comercial de uma revendedora de veículos em Alagoas, confirma que a procura por usados está cada vez maior, o que provocou o esvaziamento do estoque de seminovos na empresa. ?Tivemos que comprar carros seminovos para abastecer o estoque, que antes era abastecido com veículos novos?, justifica. Segundo ele, o consumidor que perdeu o poder aquisitivo, e mesmo o que tem dinheiro, está optando por fazer reservas com medo da crise. ?Mesmo que tenha dinheiro no bolso, o consumidor não quer arriscar?, enfatiza. ?Como o carro é uma necessidade, ele opta por comprar o veículo usado, que é mais barato, para que lhe sobre dinheiro?, explica. LUXO Engana-se quem pensa que o mercado de usados cresce apenas entre os veículos populares. Com o arrocho provocado pela crise, até os consumidores de carro médio estão optando pelos modelos seminovos. ?A crise pegou a todos, embora muitos ainda estejam acostumados com um padrão criado antes da crise, que nos proporcionou boas relações de consumo?, explica o diretor. ?Para manter o padrão, o consumidor alagoano está dando o famoso ?jeitinho? para se manter?, comenta Júlio Silveira, se referindo à aquisição de veículos usados de modelo médio. Outro ponto que Júlio Silveira evidencia é o fato do novo ter uma taxa de depreciação considerável, fazendo com que, se o dono precisar vendê-lo, ele perca uma boa parte do valor originalmente pago pelo veículo. *Sob supervisão da editoria de Economia