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‘Vamos retroceder muito’, diz procurador

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Se a situação já não era favorável ao trabalhador, piorou significativamente com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que torna lei no País a terceirização irrestrita. O que era exceção virou regra. A medida remete o trabalhador ao período da Revolução Industrial, como avalia o procurador do Trabalho Rodrigo Tenório. ?Podemos vir a ter um cenário muito complicado para os trabalhadores com a ampliação da terceirização. Vamos retroceder e muito?, afirma o procurador, que é vice-coordenador nacional da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat) do Ministério Público do Trabalho. O procurador não tem dúvida que com a reforma trabalhista do governo federal e a lei da terceirização, aprovada pelo Congresso, o aumento das doenças ocupacionais será inevitável. ?Se compararmos as estatísticas dos trabalhadores terceirizados com a dos empregados diretos, veremos que o terceirizado trabalha mais, ganha menos e se acidenta mais?, ressalta. Os dados do Ministério do Trabalho, segundo ele, ?mostram que 80% dos trabalhadores resgatados em condições analógicas de escravos ou envolvidos em acidentes de trabalho são terceirizados. Então, terceirização no nosso País é sinônimo de precarização?, alerta. ?O trabalhador terceirizado é extremamente vulnerável. É o que observamos no dia a dia?, afirma. ?Contratam uma empreiteira para fazer o serviço e negligenciam totalmente com esse trabalho. No nosso País, tanto as questões que envolvem o trabalho escravo quanto os acidentes de trabalho estão relacionadas à terceirização. O primeiro acidente de trabalho que eu apurei aqui em Alagoas foi na construção do templo de uma igreja evangélica, em Mangabeiras. O trabalhador foi sendo soterrado. Ele consciente, e acabou morrendo porque não conseguiram retirá-lo. O trabalhador era terceirizado?, relembra Rodrigo Tenório. O acidente ocorreu em 2007 com o auxiliar de pedreiro Edmilson Cândido da Silva, que morreu soterrado enquanto trabalhava na construção de um templo da Igreja Universal, na Avenida Gustavo Paiva, em Mangabeiras. Na mesma construção, um outro trabalhador despencou de um andaime de 12 metros, aproximadamente, e teve cortes profundos no rosto.

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