Economia
ARTES�S COMPRAM PALHA DE SERGIPE
Quem chegava ao bucólico povoado de Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas, via espalhadas pelas calçadas folhas de palmeira ouricuri que dão vida ao típico artesanato de palha da região. Hoje, não mais. A cena que se vê é muito diferente de anos atrás, quando os moradores do lugarejo trabalham horas a fio para dar conta da produção. Sem a principal matéria-prima do artesanato, a palha do ouricuri, muitas pessoas enfrentam dias difíceis para seguir no ofício passado de geração a geração. É o caso da presidente da Associação das Artesãs do Pontal de Coruripe, Maria Leide Santana dos Santos, que aprendeu a fazer o artesanato da palha de ouricuri com a mãe, ensinou às filhas e agora passa aos netos. ?Está vindo de fora. A gente paga por quilo e por dúzia. O quilo do linho tá custando R$ 17 e a palha tá custando R$ 14?, revela Leide Santos, ao explicar que o linho é a fibra extraída da palha com a qual fazem o artesanato. Segundo ela, se não viajar para Sergipe, tem que esperar para receber a palha que só chega a Alagoas uma vez por mês. ?Hoje [sexta-feira, 5] tá chegando um caminhão, vindo de Feliz Deserto. Pronto, depois de uma vez por mês, só tem três tiradores de palha que tiram aqui nessa região, mas tá muito difícil?, lamenta. Antigamente, como eles costumam falar, não havia nenhuma dificuldade para encontrar a palmeira ouricuri em tudo que era lugar no povoado e região. ?Era mais fácil porque a gente nem comprava. A gente já tinha aqui mesmo e a gente extraía essas palhas aqui mesmo em Coruripe. Mas hoje não tem mais?, afirma. Ela diz que o número de artesãos cresceu, porém a matéria-prima sumiu. ?As pessoas necessitam do artesanato. Cresceu o número de artesãos. Mas com o plantio de cana, coqueiro, foram cortando os pés de ouricuri e hoje não tem mais para suprir a necessidade?, ela lamenta