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Copom mant�m juros em 26,5% e surpreende ao adotar vi�s de alta

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São Paulo ? O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem os juros básicos em 26,5% ao ano, mas adotou ao mesmo tempo o viés de alta, o instrumento que permite ao Banco Central (BC) elevar a taxa Selic a qualquer momento. ?Incertezas em relação à velocidade de queda da inflação e ao cenário externo? - a guerra iminente entre EUA e Iraque não foi citada explicitamente - levaram a instituição a estabelecer o viés de alta pela primeira vez desde sua criação, em março de 1996. O de baixa já foi adotado dez vezes. A maior parte dos analistas apostava que o BC interromperia a alta da Selic, que subiu de 18% para 26,5% ao ano de outubro para cá, mas foi surpreendida pelo viés. A resposta do mercado a essa surpresa veio rápido: as projeções dos juros futuros subiram imediatamente, ajustando-se à decisão do Copom. A taxa dos contratos futuros para julho, os mais negociados, que estava em 26,7% pouco antes do anúncio, fechou em 27,02% ao ano. O contrato para janeiro pulou de 26,84% para 27,37%. Desse modo, o BC conseguiu influenciar as taxas de juros mais longas da economia sem elevar a Selic, o que teria um custo fiscal elevado, pois quase metade da dívida em títulos do governo federal é atrelada ao juros básicos. E são as taxas de juros de longo prazo que afetam diretamente o custo do crédito, uma vez que é com base nelas que bancos e financeiras captam recursos no mercado para fazer empréstimos. Na breve nota divulgada após a reunião, o BC afirmou: ?A inflação mostra sinais de queda. O Copom entende que é necessário aguardar os efeitos dos recentes movimentos de política monetária para avaliar melhor seus impactos. Diante disso, decidiu por unanimidade manter a taxa Selic em 26,5%. Incertezas quanto à velocidade da queda da inflação e ao cenário externo recomendam a adoção de um viés de alta?. Polêmica A decisão do Copom de adotar um viés de alta, autorizando o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, a subir a taxa básica de juros, a Selic, antes da próxima reunião, em abril provocou polêmica. O único consenso é que a decisão foi claramente tomada em função dos efeitos negativos que a guerra no Iraque pode ter para a economia brasileira. O viés de alta despertou elogios de economistas como o sócio da Tendências Edward Amadeo, o coordenador de conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy. ?O BC mostrou que está atento?, disse Levy. ?O viés de alta é apropriado por causa da guerra; é muito incerto o período até a próxima reunião do Copom?, disse Amadeu, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-ministro do Trabalho. Outros economistas como o ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas, e o diretor-executivo do BNL do Brasil, criticaram a medida por fazer as taxas de juros no mercado futuro subirem imediatamente. Para eles, melhor seria que o comitê convocasse uma reunião extraordinária, se percebesse a necessidade de aumento emergencial da taxa.

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