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Dieese: 45% dos sal�rios cresceram abaixo da infla��o

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São Paulo - As incertezas em torno da sucessão presidencial e a crise econômica enfrentada pelo Brasil no ano passado prejudicaram as negociações sobre reajuste salarial dos sindicatos, segundo pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). Em 2002, 54,7% das negociações coletivas de trabalho resultaram em reajustes salariais equivalentes ou superiores ao índice de inflação medido pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Nacional de Geografia e Estatística), enquanto 45,3% categorias conseguiram reajustes insuficientes para manter o poder de compra dos trabalhadores. O resultado é bem inferior ao de 2001, quando cerca de 64% das 499 categorias profissionais analisadas conseguiram percentuais de reajuste salarial iguais ou maiores do que o INPC. Segundo o Dieese, que desde 1996 realiza o balanço das negociações salariais no país, o resultado final de 2002 é semelhante ao de 1997, quando 55% das categorias conquistaram reajuste iguais ou superiores ao INPC. Somente em 1999 o percentual de categorias com a mesma conquista ficou abaixo desse patamar, situando-se em 50%. Em 1996, quando a pesquisa começou a ser realizada, pelo menos 60% das categorias conseguiram reajuste igual ou superior ao INPC; em 1998, 65% tiveram semelhante conquista e, em 2000, 67%. Indústria O estudo mostra ainda que os trabalhadores da indústria e do comércio conseguiram os melhores resultados: respectivamente, 65% e 63% de reajuste igual ou superior a inflação. No setor de serviços, 69% das categorias não conseguiram sequer repor o INPC em 2002. Segundo o coordenador técnico do Dieese, Wilson Amorim, pela primeira vez desde 1994, com o início do Plano Real, as negociações salariais entre trabalhadores e empregadores têm se referenciado em índices superiores a 10%. Há cinco anos o custo de vida sobe mais do que os rendimentos dos trabalhadores, diz Amorim. ?Uma perda de 6% é diferente da de 10% a 15%, e haverá outra disposição para negociar os reajustes salariais.? Na opinião de Amorim, as lideranças sindicais deverão priorizar as discussões sobre campanhas salariais este ano, apesar de suas agendas estarem muito carregadas com as discussões sobre as reformas previdenciária, tributária e trabalhista. Tensão A tendência é que as dificuldades em torno das discussões para reposição de renda sejam ainda maiores em 2003, segundo avaliação de Wilson Amorim. ?As negociações vão ser mais difíceis do que em 2002, quando a economia parou e a inflação subiu. As negociações serão tensas, com a discussão em torno da inflação acumulada em 12 meses, que continuará alta até setembro, e da expectativa de tendência de queda na taxa mês a mês?, disse. Segundo Amorim, ?quando o empresário trabalha com expectativa de alta da inflação, ele facilita a negociação, mas quando a previsão é de recuo, ele dificulta?.

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