Economia
Aumento do desemprego provoca avan�o no n�mero de endividados
O desejo de suicidar-se foi o fim encontrado para as dívidas que se acumulavam há 5 anos, sem que fosse paga sequer uma parcela. Desespero, impotência e vergonha eram os sentimentos gerados pela bola de neve que se tornaram as dívidas acumuladas por Deusdete Evaristo. Ela conta que, após perder o emprego numa loja de produtos de informática, viu seu orçamento familiar ser cortado pela metade. No entanto, as dívidas continuavam lá e precisavam ser pagas. Cartão de crédito, carnê de loja, talão de água e luz iam se acumulando na estante e na mente da dona de casa desempregada. Para livrar-se de todos esses sentimentos, Deusdete Evaristo recorreu aos empréstimos de agiota na esperança de quitar suas dívidas. No entanto, a ideia não deu certo e ela viu suas dívidas aumentarem. Agora, além de dever a lojas e a operadoras de cartão de crédito, ela devia a cinco agiotas. A então dona de casa desempregada pensou que as coisas começariam a melhorar quando foi convocada para ocupar sua vaga de merendeira, oriunda do concurso público em que ela foi aprovada anos atrás. Porém, nesse mesmo período, ela descobriu que as fortes dores que sentia era um câncer de mama que estava alojado nela, e se agravara após trabalhar tanto. Afastada do trabalho, Deusdete gastava mais dinheiro do que tinha, na busca da cura da doença que lhe acometia. Nesse período de tempo, ela conseguiu aposentadoria por invalidez. Aposentada e curada do câncer, as dívidas continuavam lá, ainda maiores. Recebendo um salário mínimo de aposentadoria, somado ao mesmo valor recebido por seu esposo, dava apenas para alimentar sua família, composta também por seu filho adolescente. Mas as contas permaneciam lá para serem pagas e, pior, aumentando devido aos juros. Deusdete Evaristo conta que só acordou para a dimensão do problema quando não conseguiu atender ao pedido de seu filho, que queria um biscoito para lanchar. * Sob supervisão da editoria de Economia