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‘Como pai, me d�i; como homem, me envergonha’

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Considerando-se esquecido pelas autoridades, Fábio José da Silva já chegou a fazer trabalhos informais na área da construção civil. Com os olhos marejados, ele diz sentir o fato de não poder alimentar-se todo os dias. Atualmente, o que ganha mensalmente com o serviço de catador de material reciclável chega, em média, a R$ 200. ?Como pai de família, essa situação me dói; como homem, me envergonha?, lamenta. Não bastasse não ter dinheiro, as chuvas que caem no Estado invadem o lugar onde Fábio mora, impossibilitando sua dormida. Nessas horas, o casal é obrigado a pedir ajuda ao vizinho de pobreza. Outro agravante na situação deles é o fato de morarem com o neto de 6 anos, que sequer possui registo de nascimento, tornando o pequeno Samuel inexistente oficialmente. Sem existir para a sociedade, Samuel nunca foi à escola, que também não foi muito frequentada pelos seus avós, pois Fábio José da Silva cursou até a 1ª série do Ensino Fundamental e Andreia Nascimento da Silva, a 2° série do Ensino Fundamental. FATORES Para o economista Cícero Péricles, o avanço no número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza em Alagoas é consequência de vários fatores. ?Uma combinação, nesses últimos três anos, de vários elementos, que vão se encadeando: primeiro, sem dúvida, a recessão econômica, que fez a economia nacional retroceder 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, e que, este ano, deverá apresentar um número perto de 0%. A recessão provoca, como uma das suas consequências, o aumento do desemprego, que no País chega a 14 milhões de pessoas e, em Alagoas, ultrapassa 220 mil trabalhadores?, enumera. Ele explica que o desemprego diminui a renda média, atingindo, no primeiro movimento, os trabalhadores mais pobres e, logo depois, toda a população trabalhadora ou não. ?O segundo elemento são os sucessivos cortes orçamentários, que atingem as políticas públicas nas áreas sociais, como saúde e educação, e investimentos responsáveis pela geração de empregos?, explica. Segundo Cícero Péricles, a situação é ainda pior para os nordestinos, e o alagoano em especial, porque afeta os programas de renda. ?O Bolsa Família, nesses três anos, retrocedeu em mais de 60 mil famílias cobertas. Esse programa foi um dos responsáveis pela diminuição da miséria e pobreza em Alagoas nesta última década?, pontua. * Sob supervisão da editoria de Economia.

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