Economia
Angiquinho está abandonada em AL
Delmiro Gouveia ? A primeira hidrelétrica do Nordeste e também a primeira em funcionamento no País, a Usina de Angiquinho, em Delmiro Gouveia, é um recorte importante da história do desenvolvimento do Sertão alagoano. Incrustado no meio do São Francisco e construído com equipamentos trazidos da Europa, o local repleto de história há tempos não recebe visitantes. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) fechou o local para visitação devido à necessidade de restauração do acesso e atualmente a Prefeitura de Delmiro Gouveia está negociando com a empresa a transferência da gestão do sítio histórico para o município. ?Angiquinho está dentro do nosso projeto de desenvolvimento turístico. Delmiro Gouveia, apesar de tantos locais incríveis e história tão rica, tinha esse aspecto pouco explorado pelos antigos gestores?, explicou a secretária de Cultura e Turismo de Delmiro Gouveia, Patrícia Brasil. A usina, fundada em 1913 pelo desbravador Delmiro Gouveia, além de atrair interessados em conhecer a história da região, tem ganhado destaque pela beleza do cenário e da construção centenária. De acordo com Patrícia Brasil, recentemente a estilista Martha Medeiros fez um ensaio de moda no local. ?Todos ficaram deslumbrados com a beleza do lugar, e, com o catálogo que ela está preparando, Angiquinho será mostrada dentro e até fora do País?, afirmou. Oficialmente, a usina construída na Furna dos Morcegos tem o título de primeira hidrelétrica do Nordeste. Quando começou a levar eletricidade para a Vila da Pedra, que existia onde hoje é a cidade de Delmiro Gouveia, Recife, que era a capital do Estado, era iluminada por lampiões. No entanto, de acordo com o pesquisador Clécio Lopes, que trabalha como monitor no Museu Regional, Angiquinho, na verdade, foi pioneira no País. ?Na época, já existia outra hidrelétrica construída entre São Paulo e Rio de Janeiro, mas ela não funcionou de imediato, devido a problemas técnicos. Então Angiquinho foi a primeira a entrar em operação no País?. A hidrelétrica foi construída para levar eletricidade e água encanada para a Agro Fabril Mercantil, indústria têxtil estabelecida na Fazenda Pedra, e também para os moradores da Vila Operária, funcionários da indústria. Parte dos pesados equipamentos foi trazida da Europa e era levada até a construção da Casa de Bombas em carros de bois, e ainda atravessava uma ponte férrea em carros puxados por força humana.