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Alagoas � o 6� do Pa�s em d�ficit de moradias

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FÁBIA ASSUMPÇÃO A falta de moradia é um dos problemas que mais afetam as grandes cidades brasileiras. Estima-se que hoje 20,2 milhões de pessoas, quase 12% dos habitantes do País, não têm onde morar. O déficit habitacional é de 6,6 milhões de unidades, o que representa quase 15% do total de domicílios existentes - 44,9 milhões. Em Alagoas, a situação não é diferente do restante do País. De acordo com um estudo feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), intitulado ?Déficit Habitacional do Brasil 2000?, Alagoas ocupa a sexta colocação entre todos os Estados, com um déficit habitacional de 20,2%. Perde apenas para os Estados da Bahia (46,4%), Rio Grande do Norte (24,4%), Piauí (23,8%), Ceará (23,2%) e Tocantins (21,9%). Segundo um estudo realizado pela Fundação João Pinheiro, a região Nordeste é que apresenta os piores números em déficit habitacional. Em Alagoas, por exemplo, para resolver o problema seria necessária a construção de 20 novas moradias para cada grupo de cem já existentes. De acordo com o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 649.365 domicílios pesquisados em Alagoas, 444.803 eram próprios; 28.502 estavam em aquisição e 85.224 eram alugados. Também foram identificados 44.433 pessoas morando em domicílios cedidos por empregadores e 41.229 de outras forma. Em Maceió, dos 240.294 domicílios pesquisados, 151.817 estavam quitados; em aquisição, 12.540; alugados, 45.742; cedidos por empregador, 7.041 e cedido de outra forma, 11.057. Domicílios improvisados A pesquisa do IBGE revelou ainda que em todo o Estado existem 6.839 domicílios improvisados, 2.492 concentrados em Maceió. Foram identificados também 2.669 domicílios coletivos no Estado, sendo 1.666 na Capital. Na definição do IBGE, são considerados domicílios particulares improvisados aqueles localizados em unidade não residencial (loja, fábrica) que não tenham dependências destinadas exclusivamente à moradia, mas que, na dada referência, esteja sendo ocupada por morador, como prédios em construção, vagões de trem, carroças, tendas, barracas, que estejam em situação de moradoria. A ex-trabalhadora rural Ana Maria de Lima faz parte das estatísticas do IBGE sobre o contingente de quase três mil domicílios improvisados em Maceió. Desde novembro, quando chegou de Cajueiro em busca de melhores dias na Capital, Ana Maria divide um barraco de madeira, de apenas dois cômodos, com 11 pessoas (filhos, noras e netos), fincado sobre a ponte do Vale do Reginaldo. Desempregada e recebendo apenas uma ajuda de R$ 20,00 do ex-marido, ela faz malabarismo para pagar o aluguel de R$ 25,00 pelo barraco. As crianças menores fazem pontos nos semáforos em busca de alguns trocados e o alimento diário vem do resto de comida colhido no Mercado da Produção e na Ceasa. Além de morar num local em condições insalubres, Ana Maria enfrenta o drama saber que vai ser despejada do local, dentro de 15 dias, pela Prefeitura. ?Não tenho conseguido dormir nos últimos dias, pensando onde vou ficar com meus filhos?, lamenta-se Ana Maria. Segundo ela, um advogado que se apresentou como representante da Prefeitura disse que ela poderia construir um novo barraco no terreno no Vale do Reginaldo. Desconfiada com a proposta, ela teme seguir a orientação e ser de novo desalojada com toda a família. ?Não sei de quem é esse terreno, por isso tenho medo de construir e depois me mandarem sair?. Casa própria A classe média também enfrenta dificuldades para realizar o sonho da casa própria. Mesmo quem tem uma certa condição financeira, mas não dispõe de recursos suficientes para adquirir um imóvel à vista, enfrenta dificuldades para conseguir financiamento. O representante comercial Antônio Alves Souza tem uma média salarial de R$ 2.500 por mês. Ele paga mensalmente R$ 300,00 de aluguel por um apartamento de dois quartos, num bairro de classe média de Maceió. ?Tenho tentado obter um financiamento para comprar um apartamento, mas não consigo obter esse financiamento, pois não tenho como comprovar minha renda, por ser trabalhador autônomo?. Souza acredita que teria condições de pagar hoje uma prestação de R$ 500,00. ?Mesmo que tivesse que pagar um pouco mais do que o aluguel, pelo menos estaria morando no que é meu?, enfatiza o representante comercial, que não perde a esperança de um dia realizar esse sonho.

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