loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Seagri: ‘A cana aceita desaforos’

Ouvir
Compartilhar

Hibernon Cavalcante diz que o modelo lavoura e pecuária ainda está muito incipiente, mas o que insere a floresta já vem sendo experimentado na grande Maceió, em Atalaia e em cidades que ficam na divisa com Pernambuco. Atualmente, Alagoas conta com uma área de cerca de 13 mil hectares de plantação de eucalipto em locais que antes eram ocupados por cana-de-açúcar e que ficam situados, em sua maioria, em pontos de encosta que apresentavam dificuldade de colheita da cana. Um exemplo disso é a Usina Cachoeira do Meirim, na parte alta de Maceió. Lá, o eucalipto já vem sendo plantado e a tendência é que o espaço ocupado por esse tipo de cultura seja cada vez maior. ?DESAFOROS? Quando se fala em diversificação da cultura da cana, uma das principais dificuldades são os cuidados que os outros plantios, como o de grãos, demandam. Qualquer descuido pode ser fatal e comprometer uma safra inteira. Já a plantação da cana-de-açúcar consegue se recuperar mesmo enfrentando problemas como a falta de adubação ou de irrigação. ?Considero fantástica a cultura da cana no sentido dela aguentar ?desaforos?. Se você não adubar na época certa, ela pode se recuperar; se falta chuva num determinado período, ela também resiste, porque é uma cultura plurianual, que pode durar de 5 a 8 anos, diferente de um plantio de crescimento determinado, como é o de grãos, que tem o dia de plantar e o de colher. Esse é o principal choque de uma cultura para outra, por isso temos observado que os produtores que têm investido na diversificação são os jovens filhos de agricultores, que aceitam mais facilmente essas mudanças. Eles são os responsáveis pela transição com mais facilidade?, pontua o especialista da Seagri. Outro entrave está relacionado à questão da negociação da safra. Com a cana-de-açúcar, os produtores não precisam correr atrás do comprador, pois são as usinas que estabelecem os preços para a produção. Com os grãos é diferente e faz-se necessário que os agricultores também busquem entender o mercado e se qualifiquem para chegar aos compradores. Como resultado da abertura de espaços para novas lavouras, Alagoas já começa a atrair produtores de outros locais, como do Rio Grande do Norte, Sergipe, Goiás e Mato Grosso, que enxergaram uma oportunidade de ampliar suas produções fora dos seus estados de origem, em uma região que tem carência de diversificação e que oferece condições apropriadas para um plantio e uma colheita satisfatórios. Trazendo a expertise que já adquiriram no desenvolvimento da atividade, eles prometem alavancar a produção de milho e soja em Alagoas. Além dos grãos e do eucalipto, há ? em menor proporção ? plantações de frutas, raízes e folhosas em áreas que antes eram 100% ocupadas por cana. ?Ficamos durante muitos anos acreditando que o setor da cana era que mais rendia dividendos pro Estado, era a receita principal de Alagoas, e não pegamos as oportunidades que outros estados diversificados tiveram. O que acontece hoje pode até ser visto como um contrassenso. Temos vários ?buracos? sem cana, não há dinheiro para que o produtor invista no plantio, e uma grande parcela das áreas está sem uso. Enquanto isso, temos empresas multinacionais querendo comprar o grão produzido em Alagoas?, reflete Hibernon.

Relacionadas