Economia
Usineiros dizem ser cedo para avalia��o
Há oito anos, o parque industrial começou a encolher e, na safra passada, se resumiu a 18 das 27 usinas e destilarias que tinha. Hoje não há garantia de que na próxima safra tenha as mesmas usinas operando. Os fornecedores avaliam que menos de dezesseis usinas tenham condições de moer. Os usineiros consideram cedo para qualquer tipo de avaliação no parque industrial. Os parques fabris estão prontos para operar. No entanto, poderá haver dificuldades em conseguir cana em quantidade suficiente para abastecer as unidades, avaliou o presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Alagoas, Pedro Robério de Melo Nogueira. ?Pode ser que haja um volume de cana muito pequeno, e dessa forma não compense movimentar determinadas fábricas?. O problema do Nordeste é a perda do volume de cana. Ao exemplificar a queda do volume de matéria-prima, o líder dos usineiros alagoanos mostrou um quadro das últimas safras do Estado. As usinas que esmagavam 32 milhões de toneladas reduziram a moagem para a metade. Na última safra, moeram 16 milhões de toneladas de cana. Alagoas produzia segunda maior produção do País e hoje é o sexto nacional e o primeiro do Nordeste, mas sendo ameaçado por Pernambuco. O Estado foi superado pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná. A queda na safra, segundo o presidente do Sindicato dos Usineiros, teve como fator principal a adversidade climática. Nos últimos cinco anos, a seca agravou a situação econômica do setor, que há mais de uma década enfrenta a falta de incentivos federais. Os usineiros, na verdade, sempre enfrentaram períodos de longa estiagem. Tanto que, há dez anos, o Estado instalou um grande programa de irrigação dos canaviais. Por falta de investimento do setor que esperava incentivos públicos, o programa de irrigação perdeu a velocidade de crescimento. Em contrapartida, os ciclos climáticos de estiagem passaram a ser menores, variando entre dois e três anos. As três últimas safras foram de seca. Assim, o setor justifica a queda de produção.